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13/Aug/2026

Grãos: produtividade dos EUA no foco de Chicago

Segundo a Stag International, o aumento das estimativas para as safras de soja e milho dos Estados Unidos no relatório divulgado nesta quarta-feira (12/08) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) não elimina o potencial de novas altas dos preços na Bolsa de Chicago. O balanço norte-americano ficou mais sensível a eventuais perdas adicionais de produção, colocando a produtividade das duas culturas, e não mais a área plantada, como principal variável a ser acompanhada pelo mercado nas próximas semanas. Para a soja, o USDA elevou a estimativa de produção norte-americana em 2026/27 para 122,99 milhões de toneladas, ante 121,79 milhões de toneladas projetadas em julho. Parte da oferta adicional deverá ser absorvida pelo esmagamento doméstico, cuja projeção foi elevada pelo USDA para 75,66 milhões de toneladas. Com isso, os estoques finais foram estimados em 8,71 milhões de toneladas. A produtividade passa a concentrar as atenções do mercado.

Pode haver novas revisões negativas diante do estresse observado nas lavouras do oeste do cinturão produtor dos Estados Unidos. Em um cenário de redução do rendimento para 3,50 toneladas por hectare, os estoques finais recuariam 1,63 milhão de toneladas, antes de qualquer ajuste na demanda. Mesmo que uma eventual redução da safra não resulte integralmente em estoques finais mais apertados, novas revisões negativas da produtividade poderiam atuar como catalisador altista para os futuros de soja no curto prazo. Não foram identificadas mudanças relevantes no balanço mundial da oleaginosa nem nas projeções de demanda dos principais compradores. O USDA manteve a produção brasileira de soja em 2026/27 em 186 milhões de toneladas e as importações chinesas em 115 milhões de toneladas. No milho, o cenário apresenta dinâmica semelhante.

O USDA elevou a produção norte-americana para 406,75 milhões de toneladas, ante 406,42 milhões de toneladas em julho. A produtividade foi reduzida. Apesar da produção maior, os estoques finais da nova safra de milho foram reduzidos para 41,98 milhões de toneladas. O recuo decorre da elevação da projeção de exportações norte-americanas para 83,19 milhões de toneladas, em função do aumento da demanda global e da perspectiva de exportações mais restritas da Ucrânia. O balanço mais apertado torna os preços mais sensíveis a uma quebra de produtividade do que a uma eventual surpresa positiva de mesma magnitude. A produção de milho da União Europeia foi revisada para 50,2 milhões de toneladas. O ajuste das importações foi considerado modesto diante da dimensão da perda de produção, o que pode abrir espaço para novas revisões. Na América do Sul, o USDA elevou a produção brasileira de milho de 138 milhões para 140 milhões de toneladas e manteve a estimativa para a Argentina em 63 milhões de toneladas, ampliando a disponibilidade de exportação da região.

As exportações ucranianas de milho foram reduzidas de 23 milhões para 22 milhões de toneladas. A Ucrânia permanece como fator de risco a ser monitorado, especialmente diante da possibilidade de novas disrupções no Mar Negro se somarem à quebra de produção europeia e deslocarem demanda adicional para os Estados Unidos e para a América do Sul, incluindo o Brasil, ao longo do ano comercial. O mercado deverá concentrar as atenções, agora, no Pro Farmer Crop Tour, que começa nas próximas semanas e apresentará uma avaliação independente das condições das lavouras norte-americanas. O levantamento será uma nova referência para o potencial produtivo de milho e soja dos Estados Unidos, culturas que também servem de parâmetro para a formação dos preços no mercado brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.