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13/Aug/2026

El Niño reduz calor nos EUA e eleva risco no Brasil

Segundo a StoneX, a intensificação do El Niño começa a favorecer as lavouras de milho e soja dos Estados Unidos, com temperaturas mais amenas e chuvas mais frequentes em agosto, mas pode deslocar o principal risco climático do mercado para o Brasil nos próximos meses, especialmente para a soja da Região Centro-Oeste entre outubro e dezembro. Observa-se maior influência do fenômeno sobre o padrão climático norte-americano nas últimas semanas. O El Niño ganhou força depois de disputar influência ao longo da temporada com águas mais frias no Pacífico Norte. O resultado tem sido um agosto mais moderado no Meio Oeste dos Estados Unidos, com temperaturas menos elevadas e precipitações mais regulares.

O comportamento climático é relevante porque agosto ainda pode alterar significativamente o potencial produtivo das duas principais culturas norte-americanas. No milho, embora a polinização ocorra principalmente em julho, temperaturas mais amenas em agosto prolongam o período de enchimento dos grãos e podem elevar a produtividade final. Variações climáticas nessa fase podem representar diferenças de 5% a 10% no rendimento. Para a soja, agosto tende a ser ainda mais importante. A StoneX monitora áreas secas principalmente nas planícies e em partes do oeste do cinturão produtor norte-americano, mas a combinação de chuvas recentes e temperaturas mais baixas já reduziu o risco de perdas mais severas em diversas regiões.

Se o restante de agosto permanecer relativamente fresco e com precipitações bem distribuídas, as produtividades nacionais de milho e soja nos Estados Unidos poderão terminar acima da média histórica. Um retorno do calor ou de condições de estiagem, por outro lado, poderia levar os rendimentos para abaixo desse patamar. A StoneX ainda não considera possível assumir produtividades superiores à tendência, pois o resultado dependerá da evolução climática até o fim do mês. As projeções de médio prazo indicam chuvas entre normais e acima da média no cinturão produtor norte-americano em setembro, outubro e novembro, com temperaturas próximas ou ligeiramente superiores ao padrão histórico. Esse cenário reduz o risco de ocorrência de geadas precoces e tende a favorecer a conclusão do ciclo das lavouras.

Com o avanço da temporada nos Estados Unidos, o foco do mercado começa a migrar para a América do Sul. No Brasil, as previsões indicam umidade suficiente no Centro-Oeste entre o fim de agosto e setembro para permitir o início do plantio da safra de verão (1ª safra 2026/2027). Na Região Sul, porém, o excesso de chuvas pode provocar atrasos pontuais na entrada das máquinas. O principal alerta aparece a partir de outubro. Modelos indicam precipitações abaixo da média no Centro-Oeste entre outubro e dezembro, período que concentra parcela relevante do desenvolvimento da soja na principal região produtora brasileira. A projeção, contudo, não representa uma indicação antecipada de quebra de safra.

A região normalmente registra volumes elevados de chuva nessa época do ano e pode manter produtividades próximas da média mesmo com precipitação abaixo do padrão, desde que as chuvas sejam bem distribuídas ao longo do ciclo. O risco aumenta quando os volumes se concentram em poucos eventos, separados por períodos prolongados de estiagem. Há registros de temporadas em que determinadas áreas receberam apenas metade da precipitação normal, mas apresentaram desempenho satisfatório devido ao espaçamento adequado entre os eventos de chuva.

O cenário climático tende a ser mais úmido na Região Sul do Brasil e na Argentina, o que pode compensar parte de eventuais perdas no Centro-Oeste e reduzir o risco de uma quebra generalizada da produção sul-americana. A perspectiva também é mais favorável para o milho de segunda safra. As condições tendem a melhorar entre novembro e janeiro, com boa disponibilidade de umidade projetada entre dezembro e fevereiro para a implantação da safrinha. Entretanto, alguma redução das chuvas pode voltar a ocorrer entre fevereiro e maio, dependendo da evolução do El Niño, mantendo a necessidade de acompanhamento das condições climáticas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.