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13/Aug/2026

Demanda chinesa por soja pode migrar para o Brasil

Segundo a StoneX, uma eventual compra de 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos pela China poderá reduzir o espaço para outros compradores no balanço norte-americano e deslocar parte da demanda para Brasil e Argentina. O volume exigiria uma reorganização do mercado global caso a China confirme a aquisição. No atual ano comercial, os Estados Unidos já venderam mais de 27,2 milhões de toneladas de soja para destinos fora da China. Com uma compra chinesa de 25 milhões de toneladas na próxima temporada, restaria espaço para cerca de 20,2 milhões de toneladas destinadas aos demais compradores. Nesse cenário, a redução da disponibilidade norte-americana para outros mercados tenderia a elevar os preços da soja dos Estados Unidos em relação aos valores praticados no Brasil e a direcionar parte dos clientes não chineses para a América do Sul.

Em um cenário de maior aperto da disponibilidade interna norte-americana, poderia haver espaço para importações pontuais de soja brasileira pelos próprios Estados Unidos, principalmente para o sudeste do país, onde existem terminais habilitados a receber o produto. Historicamente, contudo, as compras externas norte-americanas são pequenas em relação ao tamanho do mercado doméstico. A concretização desse cenário depende da efetivação da compra de 25 milhões de toneladas pela China. É incerto o cumprimento integral desse volume, mas a hipótese deve ser considerada diante do ritmo recente das aquisições chinesas. A China já teria comprado mais de 7 milhões de toneladas da nova safra norte-americana e poderia alcançar entre 15 milhões e 16 milhões de toneladas até o encontro previsto entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump.

A soja norte-americana permanece mais cara para entrega nos portos chineses do que o produto brasileiro e argentino, mesmo antes da aplicação das tarifas retaliatórias da China. Esse diferencial de preços indica que parte das compras recentes pode estar relacionada a fatores políticos, além das condições comerciais. Uma compra chinesa de 25 milhões de toneladas combinada a uma produtividade de 3,60 toneladas por hectare nos Estados Unidos reduziria a relação entre estoques e uso norte-americana para cerca de 4,2%. Esse nível de disponibilidade exigiria maior racionamento da demanda e preços mais elevados nos Estados Unidos para redirecionar compradores de outras regiões para fornecedores da América do Sul. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.