13/Aug/2026
O agronegócio brasileiro passa por uma transição estrutural que tende a redefinir a dinâmica do setor nas próximas duas décadas. O ciclo de expansão acelerada da área de soja na safra de verão (1ª safra) perde força e dá lugar a uma fase de crescimento mais moderado, enquanto a 2ª safra de milho, a consolidação dos biocombustíveis e o avanço das biorrefinarias passam a exercer papel central na agregação de valor dentro das cadeias agroindustriais. A desaceleração da expansão da soja está diretamente relacionada à mudança no comportamento da China, principal cliente global da oleaginosa. A taxa histórica de crescimento da área cultivada com soja no Brasil, que alcançou média de 4,4% ao ano nas últimas duas décadas, tende a se estabilizar em um teto de 1,8% ao ano na próxima década.
Nesse ritmo, o País adicionaria cerca de 8,8 milhões de hectares, enquanto a manutenção do ritmo histórico de expansão poderia pressionar as cotações internacionais da soja. A demanda chinesa por importações da oleaginosa também passa por uma mudança estrutural. Após avançar 16% ao ano, o crescimento das compras da China tende a desacelerar para uma faixa entre 2,0% e 2,4% ao ano. Esse movimento está associado às metas do plano quinquenal chinês, que prevê aumento da autossuficiência parcial por meio de biotecnologia e redução da participação do farelo de soja nas rações, de 13% para 5,7%. Nesse cenário, o milho de 2ª safra desponta como uma das culturas de maior competitividade no Brasil, favorecido pela ausência de custo adicional de terra e pelo avanço da indústria de biocombustíveis.
A 2ª safra de milho apresenta potencial de expansão de até 2,3 milhões de hectares por ano e já registra rentabilidade superior à da soja em regiões do Centro-Oeste e no Piauí. O avanço do etanol de milho constitui um dos principais vetores dessa transformação. O País deverá alcançar 72 usinas de etanol de milho operacionais ou em projeto, ampliando a demanda pelo cereal e estimulando a formação de cadeias integradas de produção. Paralelamente, o aumento progressivo dos mandatos de biodiesel tende a fortalecer a demanda por matérias-primas e contribuir para a formação de grandes clusters de produção de proteína animal. A nova dinâmica representa uma mudança no modelo de agregação de valor do agronegócio brasileiro.
A expansão da produção deixa de estar concentrada apenas na exportação de grãos in natura e passa a incorporar maior processamento de milho e soja, produção de farelo, transformação em proteína animal e utilização de matérias-primas na indústria de biocombustíveis. Nesse processo, o biodiesel ganha relevância como instrumento de agregação de valor e de defesa da economia, ao ampliar o mercado doméstico para produtos agrícolas e reduzir a dependência da exportação de commodities com menor nível de processamento. A combinação entre milho de segunda safra, etanol de milho, biodiesel, proteína animal e biorrefinarias tende, assim, a constituir um novo eixo de crescimento do agronegócio brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.