12/Aug/2026
Segundo a StoneX, a China continua adquirindo soja dos Estados Unidos mesmo com o produto norte-americano entre US$ 0,40 e US$ 0,60 por bushel mais caro que as ofertas da América do Sul. O movimento reforça a influência da política comercial nas decisões de compra do governo chinês. Mesmo sem tarifas, a soja dos Estados Unidos permanece significativamente mais cara que a originária de Brasil e Argentina, e a retirada da tarifa adicional de 10% não seria suficiente para eliminar a vantagem de preço sul-americana. Os compradores chineses adquiriram recentemente cargas de soja norte-americana da safra velha, período em que os Estados Unidos normalmente apresentam menor competitividade em relação às origens da América do Sul. A disposição da China de comprar o produto mais caro indica que fatores relacionados às negociações comerciais entre Estados Unidos e China podem estar se sobrepondo à lógica estritamente econômica de formação das compras.
Caso o componente político continue determinando parte das aquisições, os Estados Unidos poderão registrar volumes significativos de vendas de soja para a China. A diferença de preço representa um custo adicional relativamente pequeno diante da dimensão das negociações comerciais entre os dois países. Considerando uma eventual compra de 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos, com prêmio de US$ 0,50 por bushel em relação à origem sul-americana, o custo adicional para a China seria de aproximadamente US$ 500 milhões. Embora a StoneX não espere que as compras chinesas atinjam necessariamente 25 milhões de toneladas, o volume não pode ser descartado diante da influência do componente político nas negociações comerciais. Do ponto de vista econômico, a aquisição de soja norte-americana com prêmio sobre a oferta sul-americana reduz a eficiência das compras chinesas.
Entretanto, a soja pode funcionar como um instrumento relativamente simples para a China sinalizar disposição de ampliar as compras de produtos dos Estados Unidos dentro de uma negociação comercial mais ampla. A dimensão da relação comercial entre Estados Unidos e China ajuda a contextualizar esse comportamento. As exportações chinesas para os Estados Unidos em 2025 ficaram 42,7% abaixo do recorde registrado em 2018, representando uma diferença superior a US$ 200 bilhões. Diante desse volume de comércio, o custo adicional associado à compra de soja norte-americana com prêmio pode representar uma parcela limitada do valor envolvido nas relações comerciais entre os dois países. Além da questão comercial, características físicas do produto também podem contribuir para as compras chinesas. A soja dos Estados Unidos apresenta maior capacidade de conservação em estoque, uma característica relevante para a China em razão do elevado volume de suas reservas.
A maior capacidade de armazenamento amplia a conveniência do produto norte-americano para formação e manutenção de estoques estratégicos. O comportamento das compras chinesas reforça, portanto, a importância da política comercial na definição dos fluxos globais de soja. Em condições normais de mercado, Brasil e Argentina apresentam vantagem de preço sobre a soja dos Estados Unidos, mas negociações comerciais entre as duas maiores economias do mundo podem alterar temporariamente a lógica de origem das compras chinesas. Para o mercado brasileiro, a manutenção de compras chinesas nos Estados Unidos representa um fator de atenção, principalmente porque reduz potencialmente a participação da América do Sul no atendimento da demanda chinesa. A magnitude desse efeito dependerá do volume efetivamente contratado pelos chineses e da duração do movimento, além da evolução das tarifas e das negociações comerciais entre Estados Unidos e China. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.