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12/Aug/2026

Grãos: seca ameaça o transporte pelo Arco Norte

As exportações brasileiras de grãos permaneceram em ritmo moderado em julho, enquanto o setor logístico entra em uma fase crítica com a aproximação da estação seca e a deterioração das condições hidrológicas. O Citi coloca a situação dos rios em bandeira amarela e aponta risco de pressão sobre os custos de transporte, principalmente nas rotas direcionadas ao Sul, sem indicação, contudo, de uma mudança estrutural no mercado de logística. As exportações de soja recuaram 5,6% em julho ante igual mês do ano anterior. Paralelamente, o line-up de embarques começa a migrar gradualmente da soja para o milho, refletindo o avanço da colheita da 2ª safra de 2026 e a mudança na composição da oferta exportável brasileira.

A participação do milho no line-up passou de 4% no mês anterior para 20% em julho. A participação da China nas compras de soja brasileira também continua em retração. O país respondeu por 63% do total exportado em julho, menor participação desde o início de 2024. A redução da concentração das vendas externas para o mercado chinês altera a composição dos destinos da oleaginosa e reduz a dependência do principal comprador individual da soja brasileira. O principal fator de atenção para a logística está relacionado à hidrologia. Os níveis dos rios começam a apresentar aceleração na tendência de queda com a aproximação da estação seca, enquanto as projeções climáticas atuais indicam setembro mais seco que a média nas bacias da Região Norte.

O cenário é associado à influência do El Niño e aumenta o risco de restrições à navegação e ao transporte de cargas pelo Arco Norte. A deterioração dos níveis dos rios pode limitar a capacidade de transporte nas principais rotas hidroviárias utilizadas para o escoamento de grãos, elevando a necessidade de utilização de alternativas logísticas e pressionando os custos de frete. O impacto tende a ser mais relevante caso a redução da disponibilidade hídrica seja mais intensa ou prolongada que o inicialmente previsto. Apesar dos riscos hidrológicos, as perspectivas para as exportações de grãos não indicam, até o momento, uma inflexão estrutural no mercado de logística. A menor intensidade dos embarques de soja e a transição gradual para o milho reduzem a possibilidade de uma pressão generalizada e persistente sobre a capacidade de transporte.

As margens dos caminhoneiros aumentaram, em média, 3,1% em julho em relação a quatro meses antes. Entretanto, os dados semanais mostram desaceleração ao longo do mês, após o pico registrado durante o período de maior movimentação associado à colheita do milho. A evolução dos níveis dos rios durante a estação seca será determinante para o comportamento dos fretes e para a eficiência do escoamento da produção brasileira. Caso as condições hidrológicas se deteriorem conforme as projeções atuais, poderá haver pressão adicional sobre os custos logísticos e sobre a capacidade de transporte do Arco Norte, especialmente durante os períodos de maior demanda por embarques. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.