12/Aug/2026
Segundo a AgResource, a revisão da área plantada nos Estados Unidos poderá exercer influência maior sobre a reação dos mercados de milho e soja do que eventuais ajustes de produtividade no relatório de agosto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para esta quarta-feira (12/08). É que haja possível uma recuperação dos preços caso o USDA não identifique aumento expressivo na área cultivada com as duas principais commodities. Para o milho e a soja, a reação do mercado após a divulgação do relatório estará diretamente relacionada aos números de área. Caso o USDA não eleve as áreas de soja e milho, o mercado poderá encontrar condições para iniciar um movimento de alta. O relatório de agosto incorpora informações sobre área plantada reportadas pelos produtores à Farm Service Agency (FSA). Os dados são utilizados pelo Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas (Nass) como complemento às pesquisas de área cultivada.
A atualização da área ganhou importância adicional após a revisão observada no ano passado, quando aproximadamente 1,5 milhão de acres foram acrescentados ao balanço de milho dos Estados Unidos no relatório de agosto. A expectativa é de que a divulgação desta edição reduza significativamente a incerteza em torno da área plantada. Para o milho, a definição da área poderá abrir espaço para uma recuperação sazonal das cotações. Em oito dos últimos dez anos, as mínimas do cereal foram registradas em algum momento de agosto. O mercado tende a encontrar um piso neste mês, embora a volatilidade permaneça elevada até a divulgação dos novos números do USDA. Na produtividade, também há possibilidade de revisão negativa, mas o impacto potencial será menor que o associado à área. É razoável uma redução na estimativa de rendimento do milho norte-americano, diante das temperaturas elevadas registradas em julho e da deterioração das condições das lavouras.
Historicamente, temperaturas médias de julho superiores a 24,4°C no cinturão produtor tendem a reduzir o rendimento em relação à tendência. Em 2026, a média ponderada ficou pouco abaixo de 25°C. O histórico de condições das lavouras também reforça a possibilidade de ajuste negativo. Em dez dos últimos 13 anos em que menos de 65% do milho estava classificado em condições boas ou excelentes no início de agosto, o USDA posteriormente reduziu a produtividade. Illinois está entre os principais pontos de atenção. Apenas 60% do milho no Estado estava em condições boas ou excelentes, ante 69% no mesmo período do ano passado e próximo do limite inferior observado na última década. Parte da deterioração é atribuída às condições ao excesso de chuvas registrado em junho. Por outro lado, as precipitações recentes no oeste de Iowa e as temperaturas mais amenas no Meio Oeste reduziram o risco de perdas mais severas. As condições climáticas recentes afastaram, portanto, os cenários de maior impacto sobre o potencial produtivo norte-americano.
O desempenho excepcional registrado pelo milho dos Estados Unidos no ano passado dificilmente será repetido de forma generalizada. Além de Illinois, áreas das Carolinas também apresentam condições consideradas desfavoráveis, aumentando a possibilidade de diferenças regionais relevantes no rendimento da safra. Na soja, a produtividade ainda permanece cercada por maior incerteza, pois a cultura atravessa um período importante para a definição do rendimento. A área plantada, contudo, deverá apresentar uma definição mais clara com o relatório de agosto. Após essa divulgação, historicamente, as alterações relevantes na área de soja tendem a ser menos frequentes. O relatório do USDA de agosto será, portanto, determinante para a formação das expectativas de oferta de milho e soja nos Estados Unidos. A magnitude das revisões de área deverá ser o principal fator de reação inicial dos mercados, enquanto eventuais ajustes de produtividade, especialmente no milho, poderão complementar a avaliação sobre o balanço de oferta e demanda para a temporada 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.