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11/Aug/2026

El Niño ainda não altera os preços de commodities

Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), ainda é cedo para dimensionar os impactos do El Niño sobre a safra brasileira de soja 2026/27, enquanto o mercado de commodities ainda não incorpora de forma relevante o risco climático associado ao fenômeno. Há divergências entre climatologistas sobre a intensidade do fenômeno e da necessidade de aguardar a proximidade do plantio para uma análise mais precisa. A recomendação é que as condições climáticas sejam acompanhadas pelo menos até setembro, quando o plantio da safra 2026/27 estará mais próximo. A cautela também é reforçada pelas projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que estima produção brasileira de soja em 186 milhões de toneladas em 2026/27, aumento de 6 milhões de toneladas ante a temporada anterior, mesmo considerando o El Niño como fator de risco.

A estimativa consta do primeiro relatório de oferta e demanda (Wasde) do ciclo, divulgado em maio. Os preços das commodities também ainda não refletem de maneira significativa o risco climático. O cenário ocorre em um momento de recordes de faturamento e processamento pelas indústrias de esmagamento de soja no Brasil e nos Estados Unidos, o que mantém a demanda aquecida, mas sem incorporar nos preços uma eventual redução da oferta decorrente do El Niño. O posicionamento contrasta com avaliações mais cautelosas de consultorias privadas nas últimas semanas. Em levantamento de 3 de agosto, a StoneX considerou o chamado Super El Niño como fator de risco e estimou a produção brasileira de soja em 183,1 milhões de toneladas, volume recorde, porém abaixo da projeção do USDA. A Datagro, por sua vez, apontou o fenômeno como um dos fatores para o menor ritmo de expansão da área plantada em 20 anos consecutivos de crescimento da soja brasileira.

Na frente de mitigação, a Aprosoja atua na regulamentação da Medida Provisória 1.376/2026, que trata da renegociação de dívidas rurais. No campo, práticas já adotadas pelos produtores, como o plantio direto sobre a palhada e a calagem do solo, são consideradas ferramentas importantes para reduzir perdas em períodos de El Niño de maior intensidade. A definição dos impactos sobre a produtividade e a produção da safra 2026/27 dependerá, portanto, da evolução da intensidade do fenômeno e das condições climáticas observadas a partir do período de plantio. Até o momento, as principais projeções de produção permanecem em níveis elevados, enquanto o mercado ainda não incorpora integralmente o risco de uma eventual redução da oferta. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.