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10/Aug/2026

Preços da soja sustentados no mercado doméstico

O bom desenvolvimento da safra norte-americana, favorecido pelas recentes chuvas no Hemisfério Norte, reforça a expectativa de aumento da oferta global de soja, o que pressionou os contratos futuros na Bolsa de Chicago nos últimos dias. No Brasil, porém, a valorização dos prêmios de exportação de soja e derivados, impulsionada pelo aquecimento da demanda interna e pelo maior interesse de compradores estrangeiros, tem limitado o repasse das baixas externas aos preços domésticos. O cenário internacional é marcado pela redução das preocupações quanto à produção nos Estados Unidos, diante das condições favoráveis às lavouras. Com isso, os compradores se afastaram das aquisições de grandes volumes, pressionando as cotações da oleaginosa na Bolsa de Chicago. A desvalorização também é reforçada pelo avanço das negociações entre Irã e Omã para definir uma nova rota de passagem de navios, reduzindo as preocupações quanto ao fluxo do comércio marítimo internacional.

No Brasil, contudo, o impacto desse movimento é limitado pela valorização dos prêmios de exportação de soja e derivados. Esse avanço reflete tanto o aquecimento do consumo interno quanto a elevada demanda de compradores estrangeiros por produtos brasileiros. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) evidenciam o maior interesse internacional pela soja brasileira. Embora os embarques de grão tenham recuado 7,6% de junho para julho, as exportações do último mês totalizaram 13,4 milhões de toneladas, um recorde para o período. No acumulado de janeiro a julho, o Brasil escoou também um recorde de 82,97 milhões de toneladas de soja. A China segue como principal destino do produto brasileiro, absorvendo cerca de 69,6% do total vendido neste ano. As exportações de farelo apresentam comportamento semelhante ao do grão.

O volume embarcado recuou 3,2% de junho para julho, mas aumentou 17,2% em relação a julho de 2025, totalizando 2,42 milhões de toneladas no último mês, o maior volume já registrado para julho. A Indonésia permaneceu como o principal destino do derivado brasileiro, absorvendo 17% do total. As exportações de óleo de soja se destacaram em julho, com crescimento de expressivos 119,5% frente ao mês anterior, totalizando 309,05 mil toneladas, o maior volume mensal desde junho de 2004, quando foram embarcadas 388,8 mil toneladas do produto. No acumulado de janeiro a julho, o Brasil enviou ao exterior 1,32 milhão de toneladas, volume 46,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Esse desempenho decorre, sobretudo, do maior apetite da Índia, que respondeu por 87,2% dos embarques brasileiros de óleo de soja em julho e por 78,7% do total exportado no acumulado deste ano. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento (Ago/26) da soja registra recuo de 1,7% nos últimos sete dias, a US$ 11,57 por bushel.

No mesmo intervalo, o contrato Ago/26 do óleo de soja tem alta de 1%, para US$ 1.492,51 por tonelada, enquanto o farelo de soja, considerando-se o primeiro vencimento, apresenta desvalorização de 1,1%, a US$ 342,48 por tonelada. No Brasil, por outro lado, os prêmios de exportação continuam em alta. Para embarque em agosto/26 no Porto de Paranaguá (PR), o prêmio da soja avançou de +US$ 1,35 por bushel em 30 de julho para +US$ 1,45 por bushel em 6 de agosto. A valorização dos prêmios e do dólar limita o repasse das baixas externas aos preços domésticos. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 0,2%, cotado a R$ 144,98 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ também registra queda de 0,2% nos últimos sete dias, a R$ 137,50 por saca de 60 Kg.

Nos últimos sete dias, os preços da soja registram baixa de 0,4% no mercado de balcão (valor pago ao produtor), mas avanço de 0,2% no mercado de lotes (negociações entre empresas). No mercado de farelo, o prêmio de exportação atingiu o patamar mais alto desde 18 de outubro de 2024. Considerando-se o primeiro vencimento e o embarque pelo Porto de Paranaguá (PR). Sustentados por esse movimento, os preços do farelo apresentam avanço de 0,7% nos últimos sete dias. Além disso, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prorrogou até 14 de agosto o prazo de inscrição das indústrias interessadas em armazenar farelo de soja, o que pode contribuir para o gerenciamento da oferta de farelo no mercado nacional. No Porto de Paranaguá (PR), o prêmio de exportação do óleo de soja atingiu o maior patamar desde 1º de julho. No mercado interno, o óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) registra avanço de 0,8% nos últimos sete dias, a R$ 6.583,99 por tonelada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.