05/Aug/2026
Segundo a StoneX, o encontro bilateral entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, previsto para o fim de setembro, será determinante para o cumprimento do compromisso da China de adquirir 25 milhões de toneladas de soja norte-americana na safra 2026/27. O acordo firmado entre os dois países em novembro de 2025 estabeleceu compras chinesas de 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos na temporada 2025/26 e de 25 milhões de toneladas anuais nos ciclos 2026/27, 2027/28 e 2028/29. No entanto, o ritmo atual dos negócios permanece abaixo do necessário para atingir a meta. Dados mais recentes indicam vendas de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas de soja norte-americana para a China.
Considerando negócios anunciados posteriormente, mas ainda não registrados oficialmente pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o volume supera 3 milhões de toneladas, equivalente a cerca de 14% do compromisso estabelecido. Uma eventual aceleração das compras chinesas de soja dos Estados Unidos tende a estar mais associada a fatores políticos do que econômicos. A soja norte-americana permanece menos competitiva em relação à brasileira e chegou a gerar margens negativas para esmagadoras chinesas em determinados períodos. O cenário de demanda chinesa também é limitado por margens pressionadas na indústria de esmagamento, estoques elevados de óleo de soja e menor dinamismo no consumo de farelo. O setor de suinocultura, principal consumidor de farelo de soja na China, apresentou estabilidade no plantel entre o primeiro e o segundo trimestres de 2026, reduzindo o ritmo de crescimento da demanda por ração.
A retomada das compras dos Estados Unidos ocorre em um momento de elevada disponibilidade de soja brasileira, após uma safra recorde. A combinação de maiores volumes provenientes das duas origens aumenta os estoques chineses e gera dúvidas sobre a capacidade da China de cumprir integralmente o acordo com os Estados Unidos sem reduzir aquisições do Brasil. O impacto sobre as exportações brasileiras dependerá da evolução das compras norte-americanas, do comportamento dos estoques e do ritmo de consumo doméstico chinês. Apesar dos estoques elevados, a China mantém volumes relevantes de esmagamento, embora com rentabilidade pressionada. No mercado global, os Estados Unidos devem colher uma safra superior à anterior, sustentada pelo aumento da área plantada e pela expectativa de produtividade favorável, apesar de pontos de atenção relacionados ao clima.
No Brasil, a projeção é de produção recorde de 183,1 milhões de toneladas em 2026/27, com leve expansão da área cultivada, mas com riscos associados ao impacto do El Niño sobre o desenvolvimento das lavouras. A Argentina também surge como fator de competitividade no mercado internacional, com possibilidade de aumento da área plantada com soja em 2027. A redução dos impostos de exportação e o maior custo da ureia, que pressiona a rentabilidade do milho, podem estimular a migração de áreas e ampliar a concorrência argentina nas vendas para a China. Além da disputa comercial entre Estados Unidos e China, o mercado de soja acompanhará nos próximos meses a influência do clima sobre a safra brasileira, especialmente os efeitos do El Niño no Centro-Oeste e no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), as margens de esmagamento na China e no Brasil e a volatilidade cambial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.