05/Aug/2026
A influência do fenômeno El Niño representa o principal fator de risco para a confirmação da safra recorde de soja 2026/27 projetada pela StoneX para o Brasil, estimada em 183,1 milhões de toneladas. O cenário climático pode atrasar o início do plantio, reduzir a disponibilidade de umidade em regiões do Centro-Oeste e Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e provocar excesso de chuvas na Região Sul durante o desenvolvimento das lavouras. A projeção indica aumento de 0,3% na produção em relação à safra 2025/26, que também alcançou recorde. A área plantada deve crescer 0,76%, para 49,5 milhões de hectares, enquanto a produtividade média nacional está estimada em 3,70 toneladas por hectare, abaixo das 3,72 toneladas por hectare obtidas no ciclo anterior. A expansão mais moderada da produção ocorre em um ambiente de margens pressionadas, custos elevados e ausência de restrição imediata de oferta no mercado global.
Com estoques internacionais mais confortáveis, a rentabilidade do produtor permanece limitada, reduzindo o ritmo de crescimento da área cultivada. A StoneX considera inicialmente uma produtividade menor em importantes Estados produtores, como Mato Grosso e Goiás, sem repetir os rendimentos elevados registrados na temporada 2025/26. No Rio Grande do Sul, a expectativa é de recuperação da produtividade para patamar superior a 3 toneladas por hectare, após perdas provocadas por adversidades climáticas nos últimos ciclos. A maior exposição da produção brasileira ao El Niño decorre da expansão da soja para novas fronteiras agrícolas. Embora historicamente o fenômeno favoreça maior disponibilidade hídrica no Sul, ele também está associado a períodos mais secos no Centro-Oeste, Matopiba e áreas do Norte, regiões que ganharam participação relevante na produção nacional. O comportamento das chuvas em setembro será um dos principais pontos de atenção para o início da semeadura.
Um período mais seco pode atrasar a implantação da soja após o encerramento do vazio sanitário e comprometer a janela de plantio do milho 2ª safra em 2027. Em Mato Grosso, maior produtor brasileiro, o risco está concentrado principalmente em novembro, período decisivo para a definição da produtividade. O Estado apresentou redução de rendimento em episódios anteriores de El Niño, enquanto o Rio Grande do Sul tende a apresentar maior disponibilidade de água, embora com variações entre ciclos. Em um cenário de estresse climático, uma redução de 15% na produção de Mato Grosso, mantendo as demais variáveis de oferta e demanda constantes, poderia reduzir os estoques finais brasileiros para cerca de 1 milhão de toneladas, nível considerado apertado para o mercado. Uma quebra de 8% no Estado já deixaria o balanço mais ajustado e ampliaria a volatilidade dos preços internacionais. Uma perda relevante na produção mato-grossense teria impacto global, considerando que o Brasil é o maior produtor mundial de soja.
Nesse cenário, o consumo mundial poderia superar a produção mesmo com safras dentro da normalidade nos Estados Unidos e na Argentina. Na Região Sul, o risco climático está associado ao excesso de chuvas entre dezembro e fevereiro, que pode dificultar a colheita, elevar a incidência de doenças e prejudicar o desenvolvimento das lavouras. Pelo lado da demanda, a projeção é de continuidade do crescimento do esmagamento de soja, impulsionado pelo aumento do consumo de óleo destinado à produção de biodiesel. Em um cenário de produção dentro da normalidade, a consultoria mantém a estimativa de exportações brasileiras em 115 milhões de toneladas. A evolução das condições climáticas durante o plantio e o desenvolvimento inicial das lavouras será determinante para o comportamento dos preços da soja nos próximos meses, diante da relevância da safra brasileira para o equilíbrio global de oferta. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.