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04/Aug/2026

Bolsa de Chicago: compras da China sustentam preço

Segundo a Standard Grain, as compras de soja dos Estados Unidos pela China para a safra 2026/27 passaram a representar o principal fator de sustentação das cotações na Bolsa de Chicago, mesmo diante das condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras norte-americanas. A retomada das aquisições chinesas é um elemento capaz de fortalecer a demanda pela oleaginosa no mercado internacional. Operadores reportaram a aquisição de pelo menos 14 cargas de soja norte-americana pelo governo chinês, sendo 8 destinadas a embarques pelo Golfo do México e 6 pelo noroeste do Pacífico, com entregas programadas entre outubro e novembro. Caso essas operações sejam confirmadas, os compromissos chineses de compra da safra 2026/27 alcançarão aproximadamente 3,9 milhões de toneladas, correspondendo a cerca de 15,5% da meta de 25 milhões de toneladas mencionada pelo governo norte-americano.

A continuidade das aquisições reforça o programa iniciado no final de junho, reduzindo as preocupações que haviam surgido após um período de menor atividade nas negociações. A expectativa do mercado é que, caso a China efetivamente cumpra a meta de aquisição de 25 milhões de toneladas de soja norte-americana, o balanço de oferta e demanda dos Estados Unidos poderá se tornar mais apertado, a menos que a produtividade da safra supere de forma significativa as projeções atuais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Além das exportações, o processamento doméstico aquecido e a demanda interna também contribuem para reduzir a disponibilidade de oferta. O movimento tem impacto direto sobre a competitividade da soja brasileira, uma vez que reforça a presença do produto norte-americano no mercado chinês justamente durante o período de comercialização da nova safra dos Estados Unidos.

A China manteve compras de soja norte-americana mesmo quando a soja brasileira apresentava vantagem de aproximadamente US$ 1,00 por bushel, indicando que fatores além do diferencial de preços influenciam as decisões de aquisição. O mercado também acompanha a evolução das negociações comerciais entre Estados Unidos e China. Entre os participantes do mercado existe a expectativa de que a China possa adquirir aproximadamente metade da meta prevista antes de uma eventual visita do presidente Xi Jinping aos Estados Unidos, prevista para o final de setembro, caso o ritmo de anúncios de compras seja mantido nas próximas semanas. Além das 14 cargas destinadas à China, exportadores norte-americanos registraram vendas adicionais de 245 mil toneladas para destinos não revelados. Tradicionalmente, esse tipo de operação é frequentemente associado pelo mercado a compradores chineses.

As compras internacionais contribuíram para dar suporte às cotações em um momento em que o clima permanece como principal fator de pressão sobre os preços. As previsões indicam chuvas generalizadas no Corn Belt durante a semana, acompanhadas de temperaturas ligeiramente abaixo da média, condições consideradas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras de soja e milho e que reduzem os riscos de perdas relevantes de produtividade. No cenário macroeconômico, as tensões no Oriente Médio permanecem sendo monitoradas principalmente pelos seus impactos sobre os custos de produção. O recuo das cotações do petróleo, favorecido pela retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã, reduziu parte da pressão sobre os mercados.

No segmento de fertilizantes, aproximadamente 30% do fluxo global de ureia passa pelo Estreito de Ormuz. A Índia aproveitou o recuo dos preços para adquirir cerca de 1,7 milhão de toneladas do insumo. Já a XP Research avalia que o mercado da soja oscila entre fatores de sustentação e de pressão. De um lado, o aumento da demanda chinesa pela soja norte-americana fortalece as cotações. De outro, as previsões de chuvas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos e a fraqueza do mercado de petróleo contribuem para manter os contratos na Bolsa de Chicago abaixo de US$ 12,00 por bushel. Apesar desse cenário, a evolução da safra norte-americana permanece dependente das condições climáticas nas próximas semanas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.