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03/Aug/2026

Acordo EUA-China pode redirecionar exportações

Segundo a StoneX, a intensificação das compras de soja dos Estados Unidos pela China, associada à expectativa de cumprimento da meta de 25 milhões de toneladas prevista no acordo comercial entre os dois países, poderá alterar os fluxos globais do grão e ampliar a concorrência brasileira em mercados alternativos. A possibilidade é de redirecionamento das exportações brasileiras sem mudanças relevantes no volume total embarcado pelo País. Um aumento das aquisições chinesas de soja norte-americana poderá reduzir, em um primeiro momento, a participação da soja brasileira nas importações da China. No entanto, a tendência é que os embarques brasileiros sejam direcionados para outros destinos, mantendo o volume global das exportações praticamente inalterado. Caso o acordo comercial seja efetivamente cumprido, o Brasil deverá ampliar sua atuação em mercados como Europa, Oriente Médio e Sudeste Asiático, aumentando a competição nesses destinos.

Ainda assim, o País deverá permanecer como o principal fornecedor de soja para a China, cujas importações anuais superam 100 milhões de toneladas. O mercado permanece dividido quanto ao cumprimento da meta estabelecida entre Estados Unidos e China. Uma corrente considera improvável que o volume acordado seja alcançado, em função da elevada disponibilidade de soja brasileira decorrente da safra recorde de 2025/26, fator que mantém a competitividade do produto nacional. Essa avaliação também leva em conta o histórico do primeiro mandato do presidente Donald Trump, quando o acordo comercial firmado entre os dois países não foi integralmente executado. Outra parcela do mercado considera possível o cumprimento da meta de importação de 25 milhões de toneladas de soja norte-americana, mesmo diante da menor competitividade do produto dos Estados Unidos frente ao brasileiro. Nesse cenário, a China poderia ampliar as compras como parte de uma estratégia de negociação em disputas bilaterais envolvendo outros setores, como tecnologia.

Caso a China eleve suas aquisições para 25 milhões de toneladas da soja norte-americana da safra 2025/26, haverá impacto sobre o balanço de oferta e demanda dos Estados Unidos. Atualmente, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta exportações de 45,2 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27, das quais aproximadamente 15 milhões de toneladas têm a China como destino. Um aumento das compras chinesas para 25 milhões de toneladas reduziria a disponibilidade de soja norte-americana para outros mercados, tornando o balanço de oferta e demanda mais apertado, sustentando os preços e exigindo racionamento da demanda externa, uma vez que o consumo interno representa a principal parcela da utilização da soja nos Estados Unidos. Como consequência, compradores tradicionalmente abastecidos pelos Estados Unidos tenderiam a buscar fornecedores alternativos, cenário que pode ampliar as oportunidades para a soja brasileira em outros mercados importadores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.