31/Jul/2026
Os contratos futuros da soja encerraram o pregão desta quinta-feira (30/07) em leve baixa na Bolsa de Chicago, pressionados pela perspectiva de melhora das condições climáticas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos. O contrato novembro, referência para a nova safra norte-americana, recuou 4,00 cents (0,34%), e fechou a US$ 11,88 por bushel. As previsões meteorológicas indicam aumento da probabilidade de chuvas entre 25 mm e 50 mm em grande parte do Corn Belt, especialmente nas áreas mais afetadas pelo déficit hídrico no oeste da região.
O cenário tende a beneficiar principalmente as lavouras de soja, que ainda se encontram em estágios de desenvolvimento mais sensíveis à disponibilidade de umidade, enquanto o milho já avança para a fase final da polinização, com menor capacidade de recuperação produtiva. Apesar da expectativa de melhora climática, parte do mercado segue avaliando que uma parcela dos danos provocados pelo estresse hídrico já é irreversível. Dados do Monitor da Seca dos Estados Unidos mostram que, em 28 de julho, cerca de 26% da área cultivada com soja apresentava algum nível de seca, avanço em relação aos 18% registrados em 14 de julho.
Outro fator de pressão para as cotações foi a divulgação da primeira estimativa da Datagro para a safra brasileira 2026/27. O levantamento projeta expansão de 0,3% na área cultivada, para 49,3 milhões de hectares, mantendo o movimento de crescimento pelo 20º ano consecutivo. A produção potencial é estimada em 185,6 milhões de toneladas, alta de 1% em relação às 182,8 milhões de toneladas da safra 2025/26, reforçando a perspectiva de ampla oferta global. As perdas, contudo, foram parcialmente limitadas pelo bom desempenho da demanda externa pela soja norte-americana.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou venda avulsa de 132 mil toneladas de soja para a China, com entrega prevista para a temporada 2026/27. O USDA também reportou vendas líquidas semanais de exportação de 302,3 mil toneladas da safra 2025/26 e de 1,33 milhão de toneladas da safra 2026/27. No total, os compromissos de exportação somaram 1,63 milhão de toneladas na semana encerrada em 23 de julho, com a China respondendo por 519 mil toneladas. O volume ficou próximo do limite superior das expectativas do mercado, contribuindo para conter um movimento de queda mais intenso das cotações.