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24/Jul/2026

Brasil: área de soja deve se manter estável em 2026/27

Segundo projeções do Rabobank, após mais de duas décadas de expansão contínua, a área cultivada com soja no Brasil deverá permanecer praticamente estável na safra 2026/27. A mudança é atribuída à tendência ao ambiente econômico mais desafiador enfrentado pelos produtores, marcado por preços mais baixos da soja, margens comprimidas, crédito mais restrito, maior custo de financiamento e incertezas relacionadas ao mercado de insumos. Apesar da desaceleração, não há indicativos de retração estrutural da cultura no País. Na safra 2025/26, o Brasil registrou novo recorde, com aproximadamente 49 milhões de hectares cultivados e produção estimada em 182 milhões de toneladas.

Entre as safras 2000/01 e 2025/26, a área plantada cresceu, em média, 4% ao ano, impulsionada principalmente pela conversão de áreas de pastagens, avanços na infraestrutura agrícola e condições favoráveis de mercado. Nesse período, a participação brasileira na produção mundial de soja aumentou de cerca de 28% em 2010 para aproximadamente 42% em 2026. Para a safra 2026/27, o Rabobank projeta manutenção da área plantada em níveis próximos aos da temporada anterior. A estratégia dos produtores passa a priorizar preservação de caixa, gestão de riscos e maior eficiência no uso das áreas já cultivadas, diante do aumento dos custos de produção, da queda das cotações internacionais da soja e do ambiente de juros elevados.

Nesse cenário, o crescimento da produção brasileira tende a depender menos da incorporação de novas áreas e mais da evolução da produtividade e dos ganhos de eficiência nas propriedades. Essa mudança representa uma pausa no ritmo de expansão da cultura, sem comprometer seu potencial estrutural de crescimento no médio e no longo prazo. A estimativa inicial aponta produção brasileira de soja de 178 milhões de toneladas na safra 2026/27, volume inferior ao recorde obtido em 2025/26. A redução projetada decorre da expectativa de normalização da produtividade após duas temporadas consecutivas de rendimentos excepcionalmente elevados, e não de redução da área cultivada.

A desaceleração do crescimento da produção brasileira poderá contribuir para maior equilíbrio entre oferta e demanda no mercado global, favorecendo fluxos de exportação mais estáveis e oferecendo suporte moderado às cotações da soja no mercado interno. Contudo, permanecem riscos relevantes para a próxima temporada, especialmente a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, com potencial para reduzir a produtividade em importantes regiões produtoras, além da elevação dos custos de fertilizantes em decorrência das atuais tensões geopolíticas internacionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.