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22/Jul/2026

Soja brasileira mais competitiva que a norte-americana

A China continua ampliando as compras de soja dos Estados Unidos para a safra 2026/27, mesmo diante de preços superiores aos praticados para a soja brasileira. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou a venda de 374 mil toneladas da oleaginosa, das quais 264 mil toneladas tiveram como destino a China e outras 110 mil toneladas foram comercializadas para destinos não revelados. Até o momento, compradores chineses já adquiriram 427 navios de soja norte-americana, concentrados principalmente para embarques entre setembro e outubro, enquanto foram negociados 47 navios de soja brasileira e outros cinco provenientes de Argentina, Uruguai e Canadá. Segundo avaliação da consultoria Marex, as compras chinesas apresentam forte componente estratégico e político, embora também contem com vantagens logísticas no início da temporada norte-americana.

A soja embarcada em setembro provém principalmente da região do Delta dos Estados Unidos, onde o plantio e a colheita ocorrem mais cedo, permitindo embarques antecipados pelos portos do Golfo, com custos logísticos relativamente menores dentro do sistema norte-americano. Apesar desse diferencial operacional, a soja dos Estados Unidos permanece mais cara que a brasileira. O Brasil mantém vantagem competitiva devido aos descontos praticados em relação aos preços norte-americanos, embora esses descontos sejam menores do que os registrados em anos anteriores. Os prêmios de exportação e os preços internos nos Estados Unidos seguem elevados, sustentados pelo aumento dos custos logísticos, incluindo fretes ferroviários e hidroviários, pela maior movimentação de milho e farelo de soja, pela recuperação dos embarques via portos do Pacífico (PNW) e pelo crescimento da indústria de esmagamento, cujas margens permanecem positivas.

Esse conjunto de fatores reduz a probabilidade de a soja norte-americana se tornar mais competitiva do que a brasileira durante a janela de comercialização entre setembro e dezembro. Mesmo considerando as tarifas aplicadas sobre a soja dos Estados Unidos, o diferencial de preços continua favorecendo o produto brasileiro. As perspectivas para as exportações brasileiras permanecem positivas. A expectativa é de que o Brasil encerre 2026 com embarques entre 113 milhões e 114 milhões de toneladas de soja, dos quais entre 86 milhões e 87 milhões de toneladas deverão ter como destino a China. Parte da soja norte-americana adquirida pelos chineses será destinada principalmente às reservas estratégicas e ao processamento por empresas estatais, enquanto o Brasil continuará sendo o principal fornecedor para o mercado chinês.

Dados da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) reforçam esse cenário. Embora as importações totais de soja pelo país tenham recuado 21% em junho na comparação anual, as compras de soja brasileira cresceram 13,7% no período, passando de 10,62 milhões para 12,08 milhões de toneladas. No acumulado do primeiro semestre de 2026, as importações chinesas de soja do Brasil somaram 34,75 milhões de toneladas, avanço de 9,8% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. O cenário indica que, mesmo com compras estratégicas da China nos Estados Unidos durante o início da safra norte-americana, o Brasil mantém posição competitiva nas exportações globais, sustentado por preços mais atrativos, oferta disponível e elevados prêmios de exportação para os embarques do último trimestre do ano. Fonte: Notícias Agrícolas. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.