20/Jul/2026
O fortalecimento da demanda global por farelo de soja impulsiona as negociações do derivado tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. No mercado brasileiro, a maior disputa entre compradores externos e domésticos eleva os prêmios de exportação e os preços FOB, refletindo diretamente na elevação das cotações internas. Esse cenário também sustenta os preços da soja em grão, embora o aumento da oferta mundial tenha limitado ganhos mais expressivos. No Porto de Paranaguá (PR), o prêmio de exportação para embarques de agosto de 2026 foi ofertado a +US$ 8,00 por tonelada curta em 16 de julho, o maior patamar já registrado para esse vencimento. Para efeito de comparação, em 9 de julho, o mesmo embarque era negociado na paridade (zero), enquanto no mesmo período do ano passado, o prêmio para agosto de 2025 estava negativo. Como reflexo desse movimento, o preço FOB do farelo de soja no Porto de Paranaguá (PR) registra avanço de 4,5% nos últimos sete dias, a US$ 464,31 por tonelada, o maior patamar desde 13 de maio deste ano.
No mercado interno, o preço do farelo de soja registra alta de 1,1% no mesmo intervalo. Os preços na região oeste do Paraná voltaram aos patamares mais altos desde março. Em Passo Fundo (RS) e Rondonópolis (MT), as cotações são as maiores desde abril, enquanto em Ponta Grossa (PR), Campinas (SP), Mogiana (SP) e Rio Verde (GO), desde maio deste ano. A valorização do farelo é sustentada, em grande parte, pelas perspectivas de crescimento da demanda mundial pelo derivado. Embora a Argentina permaneça como a principal exportadora mundial de derivados de soja, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) destaca o avanço das exportações de farelo do Brasil e dos Estados Unidos. Para a temporada 2026/27 (de out/26 a set/27), a estimativa do USDA é de que o Brasil embarque 26,9 milhões de toneladas de farelo de soja, superando o recorde previsto para a temporada atual, de 25 milhões de toneladas (out/25 a set/26). Nos Estados Unidos, as exportações são projetadas em 19,95 milhões de toneladas na próxima temporada (de set/26 a ago/27), acima das 18,41 milhões de toneladas estimadas para a atual safra (de set/25 a ago/26).
Esse cenário tem intensificado a disputa por farelo entre os mercados externo e doméstico, fator que vem sustentando a elevação dos preços. No Brasil, o consumo interno é estimado pelo USDA em 21,8 milhões de toneladas na safra 2025/26 e em 23 milhões de toneladas na temporada 2026/27, ambos recordes. Nos Estados Unidos, o consumo doméstico também deve atingir novos recordes, passando de 39,49 milhões de toneladas na atual temporada para 39,76 milhões de toneladas na safra 2026/27. Em linha com esse cenário, o contrato Ago/26 do farelo de soja negociado na Bolsa de Chicago registra alta de 1,7% nos últimos sete dias, cotado a US$ 355,93 por tonelada. O fortalecimento da demanda por farelo, que tende a estimular o esmagamento, aliado a firme demanda mundial por soja em grão, sustenta os preços da oleaginosa. Por outro lado, a expectativa de expansão da oferta global limita valorizações mais intensas. Segundo o USDA, a produção mundial de soja deve atingir um novo recorde, de 441,7 milhões de toneladas na safra 2026/27, superando as 429,46 milhões de toneladas da temporada 2025/26.
O esmagamento global também deve alcançar volumes recordes, passando de 383,08 milhões de toneladas em 2025/26 para 384,16 milhões de toneladas em 2026/27. Nos Estados Unidos, a produção foi reajustada em 0,9% em relação à estimativa de junho, para um recorde de 121,79 milhões de toneladas na projeção deste mês, volume 5% superior ao da safra passada. No comércio internacional, as importações mundiais devem passar de 186,34 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 189,3 milhões de toneladas na safra 2026/27. A China segue como a principal importadora mundial, com reajuste de 1 milhão de toneladas nas estimativas desta e da próxima temporada, projetadas pelo USDA em volumes recordes de 113 milhões de toneladas na safra 2025/26 (de out/25 a set/26) e de 115 milhões de toneladas na safra 2026/27 (de out/26 a set/27). O Brasil deve embarcar 115 milhões de toneladas na safra 2025/26 (de out/25 a set/26). Para 2026/27 (de out/26 a set/27), a projeção foi elevada em 500 mil toneladas em relação ao relatório anterior, atingindo um novo recorde de 118 milhões de toneladas.
Nos Estados Unidos, as exportações da atual temporada (de set/25 a ago/26) foram revisadas para 41,37 milhões de toneladas, 0,66% acima da estimativa anterior. Para a temporada 2026/27 (de set/26 a ago/27), a projeção aumentou 1,84%, para 45,2 milhões de toneladas. No mercado brasileiro, nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 0,2%, cotado a R$ 140,58 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 0,9% nos últimos sete dias, a R$ 133,94 por saca de 60 Kg, o maior patamar nominal desde 2 de janeiro deste ano, quando atingiu R$ 135,76 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os preços registram alta de 0,9% no mercado de balcão (valor pago ao produtor) e de 1,2% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Na Bolsa de Chicago, o contrato de primeiro vencimento da soja (Ago/26) está cotado a US$ 11,95 por bushel, alta de 1,5% nos últimos sete dias. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.