17/Jul/2026
Segundo o Goldman Sachs, o mercado global de soja permanece sujeito a fatores de alta e baixa nos preços, em um cenário de forte dependência das relações comerciais entre China, Brasil e Estados Unidos. A China responde por cerca de 60% das importações mundiais da commodity, enquanto Brasil e Estados Unidos concentram aproximadamente 85% das exportações globais. A oleaginosa tem como principais destinos a produção de farelo para alimentação animal e de óleo utilizado pela indústria alimentícia e pelo setor de biocombustíveis.
Nesse contexto, alterações nos custos de produção, disponibilidade de oferta e política comercial internacional seguem como elementos determinantes para a formação das cotações. Entre os fatores de sustentação dos preços está o aumento dos custos de fertilizantes, que pode limitar a expansão da oferta brasileira. A competitividade do Brasil foi fortalecida nas últimas décadas pela disponibilidade de terras e pela expansão da área cultivada, permitindo ao País superar os Estados Unidos como maior produtor mundial de soja.
Entretanto, a elevada dependência brasileira de fertilizantes e defensivos importados pode reduzir essa vantagem em um ambiente de custos mais elevados. Ao mesmo tempo, a elevação dos custos dos insumos no Brasil pode favorecer a produção norte-americana, ampliando a oferta dos Estados Unidos e exercendo pressão negativa sobre os preços internacionais da soja. Pelo lado da demanda, a política comercial entre Estados Unidos e China permanece como um dos principais vetores para o mercado. As cotações da soja norte-americana registraram avanço após relatos de novas compras chinesas, associadas aos compromissos firmados entre os dois países em negociações comerciais recentes.
Apesar da estratégia chinesa de diversificação dos fornecedores, com aumento da participação brasileira desde o início das tensões comerciais entre China e Estados Unidos em 2018, a China não consegue substituir completamente a soja norte-americana, devido à complementaridade entre os calendários de produção dos dois principais exportadores globais. No curto prazo, preocupações relacionadas à segurança energética podem estimular a demanda por soja, principalmente pelo aumento da utilização de biodiesel e pela necessidade de maior oferta de óleos vegetais para biocombustíveis.
Esse movimento tende a oferecer suporte adicional às cotações. No longo prazo, a estratégia chinesa de ampliar a segurança alimentar por meio do aumento da produção doméstica representa um risco potencial de redução das importações. Entretanto, os investimentos chineses em infraestrutura no Brasil indicam continuidade da demanda pela soja brasileira nos próximos anos, movimento que pode favorecer os exportadores do País e limitar ganhos de participação dos Estados Unidos no mercado chinês. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.