16/Jul/2026
No mercado interno de soja, os preços registraram alta entre R$ 2,00 e R$ 3,00 por saca de 60 Kg nesta quarta-feira (15/07). O dólar encerrou a sessão desta quarta-feira (15/07) praticamente estável ante o Real, cotado a R$ 5,07, com alta de 0,01%. A moeda norte-americana operou próxima da estabilidade, mesmo diante do ambiente externo favorável às divisas emergentes, após dados de inflação mais benignos nos Estados Unidos reforçarem a expectativa de menor pressão sobre a política monetária do Federal Reserve (Fed). O movimento global de enfraquecimento do dólar teve impacto limitado sobre o Real.
A moeda brasileira perdeu força diante da elevação dos prêmios de risco domésticos, associados ao cenário eleitoral e à expectativa de confirmação de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. A possibilidade de aplicação de uma tarifa de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos do Brasil, ainda com previsão de uma lista ampliada de exceções, permaneceu no radar dos investidores e restringiu a valorização do Real. O mercado também acompanhou a ampliação da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas eleitorais, movimento interpretado como fator de cautela diante da perspectiva de continuidade da atual política fiscal. O Real continua sustentado por fatores como o diferencial de juros elevado e a valorização das commodities, especialmente o petróleo.
Os contratos futuros de soja encerraram a sessão em alta na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira (15/07), impulsionados por dados de esmagamento nos Estados Unidos acima das expectativas do mercado e pelo aumento das tensões geopolíticas na região do Mar Negro. O contrato novembro, referência para a nova safra norte-americana, avançou 10,75 cents (0,90%), e fechou a US$ 12,01 por bushel. A percepção é de que a demanda doméstica está aquecida nos Estados Unidos. As recentes compras estatais realizadas pela China também contribuíram para sustentar as cotações. As condições climáticas no Cinturão Agrícola dos Estados Unidos também adicionaram prêmio de risco ao mercado.
O mercado acompanha o risco de estresse hídrico durante uma fase crítica do desenvolvimento da cultura. A intensificação dos ataques russos à infraestrutura portuária de Odessa e as restrições logísticas no Estreito de Kerch e no Mar de Azov elevaram as preocupações com o fluxo de exportações pelo Mar Negro. A alta da soja foi parcialmente limitada pela ampla oferta sul-americana. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirmou produção recorde de 180,57 milhões de toneladas de soja na safra brasileira 2025/26, enquanto a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) estima embarques de 13,76 milhões de toneladas em julho. Além disso, a consultoria Ag Bull destaca que a soja sul-americana permanece sendo negociada entre US$ 0,50 e US$ 0,60 por bushel abaixo da soja norte-americana, favorecida pelos menores custos de produção no Brasil.
No Paraná, na região de Cascavel, as indicações para exportação no spot variam de R$ 142,00 a R$ 150,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, sendo a menor posição para julho e a maior, para novembro. No interior, a indicação está entre R$ 130,00 e R$ 140,00 por saca de 60 Kg FOB. Para safra 2026/27, as cotações para exportação oscilam entre R$ 140,00 e R$ 142,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá. Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, os exportadores indicam entre US$ 24,00 e US$ 24,50 por saca de 60 Kg, equivalente a R$ 124,00 a R$ 125,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada em agosto. Para safra 2026/27, a indicação está entre R$ 116,00 e R$ 117,00 por saca de 60 Kg FOB.
Fonte: Cogo Inteligência em Agronegócio.