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16/Jul/2026

Futuros impulsionados pelo esmagamento nos EUA

Os contratos futuros de soja encerraram a sessão em alta na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira (15/07), impulsionados por dados de esmagamento nos Estados Unidos acima das expectativas do mercado e pelo aumento das tensões geopolíticas na região do Mar Negro. O contrato novembro, referência para a nova safra norte-americana, avançou 10,75 cents (0,90%), e fechou a US$ 12,01 por bushel. O movimento foi acompanhado pelos contratos de milho e trigo, favorecidos pela entrada de capital especulativo nas commodities agrícolas, enquanto o índice dólar (DXY) recuou 0,49%, para 100,919 pontos. O principal fator de sustentação foi o relatório mensal da Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas (NOPA), que apontou esmagamento de 5,83 milhões de toneladas de soja em junho, volume 2,66% superior às 5,68 milhões de toneladas processadas em maio e acima da expectativa média do mercado, de 5,55 milhões de toneladas.

O resultado reforçou a percepção de demanda doméstica aquecida nos Estados Unidos. As recentes compras estatais realizadas pela China também contribuíram para sustentar as cotações. As condições climáticas no Cinturão Agrícola dos Estados Unidos também adicionaram prêmio de risco ao mercado. As projeções da NOAA indicam persistência de tempo seco em grande parte da porção oeste da região produtora, com baixos volumes de chuva previstos para Iowa, Nebraska, Minnesota e as Dakotas. Com cerca de 50% das lavouras de soja em floração e 19% iniciando a formação de vagens, o mercado acompanha o risco de estresse hídrico durante uma fase crítica do desenvolvimento da cultura. Apesar disso, o USDA mantém 65% das lavouras classificadas entre boas e excelentes.

No cenário internacional, a intensificação dos ataques russos à infraestrutura portuária de Odessa e as restrições logísticas no Estreito de Kerch e no Mar de Azov elevaram as preocupações com o fluxo de exportações pelo Mar Negro, impulsionando inicialmente os preços do trigo e contribuindo para a valorização das demais commodities agrícolas. A alta da soja foi parcialmente limitada pela ampla oferta sul-americana. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirmou produção recorde de 180,57 milhões de toneladas de soja na safra brasileira 2025/26, enquanto a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) estima embarques de 13,76 milhões de toneladas em julho. Além disso, a consultoria Ag Bull destaca que a soja sul-americana permanece sendo negociada entre US$ 0,50 e US$ 0,60 por bushel abaixo da soja norte-americana, favorecida pelos menores custos de produção no Brasil.