ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

15/Jul/2026

USDA projeta produção recorde no Brasil em 2026/27

Segundo relatório da equipe do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília, a área plantada com soja no Brasil deve alcançar 50,5 milhões de hectares na safra 2026/27, aumento de 1,5 milhão de hectares ou 3% em relação aos 49 milhões de hectares estimados para o ciclo atual. A expansão deve levar a produção brasileira a novo recorde, mas em ritmo inferior ao observado nos últimos anos. O USDA projeta produção de 184 milhões de toneladas na temporada 2026/27, alta de 2,2% ante as 180 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. Caso confirmado, será o terceiro recorde consecutivo da produção nacional. A produtividade média, entretanto, deve recuar de 3,67 para 3,64 toneladas por hectare, diante de custos elevados, juros altos e riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño.

A expansão da área deve ocorrer principalmente no Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, onde a disponibilidade de terras aptas, regras ambientais comparativamente menos restritivas e investimentos em infraestrutura favorecem o avanço da cultura. O USDA também prevê aumento de área no norte de Mato Grosso e em partes do Pará e Maranhão após a suspensão da Moratória da Soja no início de 2026. A flexibilização das restrições comerciais associadas à Moratória da Soja pode ampliar a autonomia dos produtores para incorporar áreas em regiões de fronteira agrícola no bioma Amazônia. A expansão, porém, continuará condicionada ao cumprimento do Código Florestal e às exigências de compradores internacionais, incluindo normas da União Europeia para produtos livres de desmatamento.

O ritmo de crescimento da área cultivada deve ser menor que a média anual de 4,2% registrada nos últimos cinco anos. Incertezas econômicas, custos de produção elevados e riscos climáticos podem levar produtores a reavaliar decisões de plantio e investimentos em tecnologia. Na safra 2025/26, com a colheita praticamente encerrada, o USDA revisou a área plantada para 49 milhões de hectares, alta de 3,4% ante o ciclo anterior, e manteve a produção estimada em 180 milhões de toneladas. A produtividade média foi projetada em 3,66 toneladas por hectare. A Região Nordeste apresentou o maior rendimento médio, com 3,96 toneladas por hectare, impulsionado pela Bahia, que alcançou 4,25 toneladas por hectare, maior nível registrado pelo Estado.

O cenário econômico segue limitando a capacidade de investimento dos produtores. Em Mato Grosso, o custo total de produção da soja foi estimado em R$ 7.651,51 por hectare em 2025/26, aumento de 7,9% sobre a temporada anterior, com maior pressão exercida por fertilizantes e mão de obra. Para 2026/27, os custos devem permanecer elevados em razão da valorização do petróleo e de outros insumos impactados por tensões geopolíticas. Os juros também continuam como fator restritivo para o financiamento de sementes, fertilizantes e máquinas. No comércio exterior, a projeção para as exportações brasileiras de soja é de 117,5 milhões de toneladas em 2026/27, acima das 115 milhões de toneladas previstas para a temporada atual. A oferta elevada e a demanda chinesa devem sustentar os embarques, embora em ritmo mais moderado.

A China permanece como principal destino da soja brasileira. Em 2025, o País exportou 108,1 milhões de toneladas da oleaginosa, das quais 85,4 milhões de toneladas, equivalentes a 78,9% do total, foram destinadas ao mercado chinês. O USDA aponta que a elevada concentração das vendas externas aumenta a exposição do Brasil a mudanças no consumo ou na política comercial chinesa. O esmagamento doméstico foi projetado em 62,5 milhões de toneladas em 2026/27, crescimento de 2,4%, sustentado pela disponibilidade de matéria-prima e pela demanda por farelo e óleo de soja. O avanço, contudo, deve ocorrer em ritmo mais lento diante das incertezas relacionadas à política de biodiesel e ao crescimento gradual do consumo interno. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.