14/Jul/2026
A retomada das compras chinesas de soja dos Estados Unidos contribuiu para a recuperação dos contratos futuros na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira (13/07), que voltaram à faixa de US$ 12,00 por bushel, mas ainda não altera de forma estrutural a competitividade do Brasil no principal mercado importador mundial. Segundo a CZ Insights, a soja brasileira segue mais competitiva, enquanto o aumento dos estoques chineses, a deterioração das margens de esmagamento e a permanência das tarifas comerciais limitam uma valorização mais consistente das cotações. A recuperação recente dos preços foi impulsionada pela expectativa de avanço nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China e pelas preocupações com as condições climáticas no Meio Oeste norte-americano.
Após permanecerem durante várias semanas abaixo de US$ 11,50 por bushel, os contratos futuros voltaram ao patamar de US$ 12,00 na primeira semana de julho. O principal fator para os próximos meses será a evolução das negociações tarifárias entre Estados Unidos e China. A China mantém tarifa de 10% sobre produtos agrícolas norte-americanos em resposta às medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos. Uma eventual suspensão recíproca dessas tarifas poderá ampliar as compras realizadas por esmagadoras privadas chinesas, atualmente menos competitivas diante do diferencial de preços. No início de julho, a soja brasileira entregue na China apresentava preço 4,4% inferior ao produto norte-americano antes mesmo da incidência da tarifa chinesa.
Com a aplicação da alíquota, a vantagem competitiva do Brasil se amplia, mantendo o País como principal fornecedor para as indústrias privadas chinesas. Nesse cenário, as compras de soja dos Estados Unidos tendem a permanecer concentradas em empresas estatais e vinculadas às políticas de abastecimento e formação de estoques estratégicos. As expectativas de aproximação comercial ganharam força após o Ministério do Comércio da China informar, em 2 de julho, que os dois países estabeleceram um marco para ampliar o comércio bilateral de produtos agrícolas, com possibilidade de reduções tarifárias recíprocas. Apesar desse avanço, o volume negociado ainda é considerado insuficiente para caracterizar uma retomada consistente da demanda chinesa pela soja norte-americana.
Também circulam relatos de mercado sobre possíveis aquisições futuras pela estatal Sinograin, embora não haja confirmação oficial. Nos Estados Unidos, as preocupações climáticas continuam oferecendo suporte aos preços. O calor intenso em parte do Meio Oeste, combinado com chuvas fortes e episódios localizados de inundação, mantém o mercado atento ao potencial produtivo, embora o USDA tenha estimado aumento de 5% na área plantada, para 85,4 milhões de acres, equivalentes a 34,6 milhões de hectares. No Brasil, a colheita da safra recorde de 180 milhões de toneladas foi concluída e os embarques seguem em ritmo elevado. As exportações alcançaram 14,5 milhões de toneladas em junho e totalizaram 69,6 milhões de toneladas no primeiro semestre, volume 4,6 milhões de toneladas superior ao registrado no mesmo período de 2025.
A China respondeu por 69% desse total. As projeções do USDA indicam exportações brasileiras de 115 milhões de toneladas em 2025/26 e de 117,5 milhões de toneladas em 2026/27. A demanda chinesa também enfrenta limitações internas. As esmagadoras operam em ritmo elevado, com processamento próximo de 9,95 milhões de toneladas em junho e perspectiva de superar 10 milhões de toneladas em julho. Ao mesmo tempo, os estoques de soja importada mantidos pelas indústrias atingiram aproximadamente 7,7 milhões de toneladas em 3 de julho, aumento de 870 mil toneladas em relação ao mês anterior e de 700 mil toneladas frente ao mesmo período de 2025.
Os estoques de farelo cresceram para cerca de 680 mil toneladas, elevando a oferta e pressionando os preços do derivado, que recuaram de mais de 3.200 iuanes por tonelada em março para 2.830 iuanes em junho. O óleo de soja também registrou desvalorização, embora permaneça acima dos níveis observados no ano passado. O retorno das compras chinesas oferece sustentação aos futuros na Bolsa de Chicago e pode intensificar a disputa pela demanda global no segundo semestre, especialmente caso ocorram problemas climáticos na safra norte-americana. Entretanto, a continuidade da valorização dependerá do volume efetivamente adquirido pela China e do desfecho das negociações tarifárias, uma vez que a oferta sul-americana permanece elevada e os estoques chineses continuam em expansão. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.