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13/Jul/2026

Óleo de soja: biocombustíveis sustentam preço global

O óleo de soja foi o derivado de melhor desempenho no complexo soja no mercado internacional durante o primeiro semestre de 2026, impulsionado pela demanda crescente da indústria de biocombustíveis nos Estados Unidos, pela valorização do diesel e pela expansão das margens de esmagamento. O contrato negociado na Bolsa de Chicago atingiu o pico de 79,09 centavos de dólar por libra-peso no período, o maior nível em quatro anos. No encerramento do mercado em 9 de julho, o vencimento julho era negociado a 70,45 cents de dólar por libra-peso, recuo diário de 94 pontos e 10,9% abaixo da máxima registrada no semestre. A valorização do óleo também sustentou os preços do grão e do farelo de soja na Bolsa de Chicago. O movimento elevou a rentabilidade do processamento industrial, estimulando o aumento do esmagamento e ampliando a oferta global de derivados, fator que poderá limitar novos avanços dos preços ao longo da temporada 2026/27.

A demanda física por óleo de soja nos Estados Unidos permanece aquecida, principalmente em razão do consumo destinado à produção de combustíveis renováveis. Esse cenário tem sustentado os preços no mercado físico, refletindo diretamente na formação das cotações futuras negociadas em Chicago. O principal fator estrutural continua sendo a política norte-americana para biocombustíveis. Em março, os Estados Unidos elevaram as metas obrigatórias de utilização de combustíveis renováveis, ampliando a necessidade de matérias-primas como o óleo de soja. Segundo relatório do CoBank, a mudança impulsionou as cotações do derivado, levou as margens de esmagamento nos Estados Unidos a níveis recordes e acelerou o ritmo de processamento. No acumulado do ano comercial, o volume de soja esmagada no país supera em 8% o registrado no mesmo período do ciclo anterior, com sucessivos recordes mensais.

A política norte-americana de biocombustíveis é o principal vetor de sustentação dos preços. A combinação entre metas mais elevadas para combustíveis renováveis, incentivos à produção de combustíveis de menor emissão e demanda consistente da indústria norte-americana fortaleceu o mercado do óleo de soja. Com base em dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a StoneX projeta consumo de 8,07 milhões de toneladas de óleo de soja para biocombustíveis nos Estados Unidos em 2026/27, crescimento de 25,4% em relação à temporada anterior. A StoneX também ressalta que as posições compradas dos fundos especulativos no mercado de óleo atingiram, no segundo trimestre, o maior volume da série histórica, ampliando tanto o potencial de valorização quanto o risco de movimentos corretivos.

As projeções do Itaú BBA indicam continuidade da expansão da demanda mundial. O USDA estima crescimento de aproximadamente 3% no consumo global de óleo de soja em 2026/27, para cerca de 73 milhões de toneladas. Os Estados Unidos deverão responder por quase 21% desse total, enquanto o Brasil representará aproximadamente 16%, com consumo próximo de 11,5 milhões de toneladas. O fortalecimento da demanda energética modifica a dinâmica tradicional do complexo soja. Historicamente, o farelo era o principal determinante do esmagamento devido ao consumo pela pecuária. Com a expansão do biodiesel e do diesel renovável, o óleo passou a exercer papel cada vez mais relevante na formação das margens industriais e no estímulo ao processamento. Entretanto, o aumento do esmagamento amplia simultaneamente a produção de óleo e farelo.

Caso a expansão da oferta supere o crescimento da demanda, a sustentação dos preços poderá perder intensidade. A perspectiva para 2026/27 aponta justamente para esse fator como principal limitador das cotações. A elevada rentabilidade do esmagamento estimula um processamento recorde, ampliando a produção mundial de óleo e farelo e tornando o balanço global mais confortável. Mesmo com a continuidade da expansão do consumo, o aumento da oferta poderá resultar em crescimento dos estoques de óleo de soja ao longo da próxima temporada. O Itaú BBA projeta produção global de soja próxima de 441 milhões de toneladas em 2026/27, com expansão entre os principais países produtores. A demanda deverá absorver grande parte desse volume, mantendo o balanço relativamente equilibrado.

Ainda assim, a relação entre estoques e consumo deverá recuar para aproximadamente 28%, frente a 29% estimados para 2025/26, mantendo o mercado sensível às condições climáticas, ao comportamento do mercado de energia e às políticas de biocombustíveis. O desempenho do petróleo permanece como variável importante para o mercado de óleo de soja. A valorização do diesel tende a fortalecer a competitividade das matérias-primas utilizadas na produção de biocombustíveis, enquanto a redução do prêmio de risco do petróleo pode limitar parte da sustentação das cotações. Além disso, as perspectivas para 2027 continuam condicionadas ao desempenho das safras nos Estados Unidos e no Brasil. Entre os principais fatores de risco está a evolução do fenômeno El Niño, cujo estabelecimento foi confirmado pelo Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos em 11 de junho. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.