10/Jul/2026
A carinata amplia sua participação na safra de inverno do Rio Grande do Sul impulsionada pela demanda por combustível sustentável de aviação (SAF) e pela busca dos produtores por alternativas de diversificação de renda e melhoria da qualidade do solo. A oleaginosa, destinada exclusivamente à produção de biocombustíveis, ganha relevância em um cenário de maior preocupação com a segurança energética global e de expansão das fontes renováveis. A Emater-RS estima cultivo de 12.365 hectares de carinata no Estado na safra de inverno 2026, concentrados principalmente nas regiões de Santa Rosa, Ijuí e Bagé.
A área mais que dobrou em relação à safra anterior, quando aproximadamente 5 mil hectares foram cultivados. Segundo a avaliação técnica da entidade, o potencial de expansão permanece elevado, especialmente em áreas que permanecem ociosas após a colheita de soja, milho e arroz. Do ponto de vista agronômico, a cultura apresenta características semelhantes às da canola, porém com maior rusticidade e melhor desempenho como planta de cobertura. A produção de maior volume de palhada contribui para a conservação do solo, melhora a retenção de umidade e fortalece a resiliência das áreas agrícolas diante de eventos climáticos extremos, como El Niño e La Niña.
A geração de biomassa também favorece o sistema de plantio direto e auxilia na manutenção da fertilidade do solo. A evolução da cultura também está associada à rentabilidade frente a outras alternativas de inverno. Em Boa Vista das Missões (RS), um produtor ampliou a área cultivada de 60 hectares em 2025 para 100 hectares em 2026, após colher cerca de 32 sacas por hectare na primeira safra. A decisão ocorreu em razão do menor custo de manejo em comparação ao trigo, que demanda maior utilização de fungicidas em função da elevada incidência de doenças. Os contratos de comercialização da carinata têm como referência a cotação da soja, com expectativa de preço ao redor de R$ 120,00 por saca.
Apesar das perspectivas positivas, o desenvolvimento da safra permanece condicionado ao comportamento climático. A intensificação das condições associadas ao El Niño eleva o risco de excesso de chuvas na Região Sul do País. Embora a cultura responda favoravelmente à disponibilidade de umidade, a redução das horas de insolação pode limitar o potencial produtivo, comprometendo os rendimentos esperados em relação à safra anterior. A expansão da cadeia produtiva vem sendo estimulada por parcerias entre a indústria e os produtores. A Celena Alimentos, em conjunto com a australiana Nufarm, fornece sementes, assistência técnica e contratos de compra antecipada da produção destinada ao mercado de biocombustíveis.
O processamento dos grãos ocorre em unidade industrial instalada em São Luiz Gonzaga (RS), em parceria com o Grupo Camera. O modelo de produção prevê ainda certificação das áreas cultivadas para atendimento de requisitos de sustentabilidade e baixo impacto ambiental, condição considerada estratégica para atender à crescente demanda internacional por matérias-primas destinadas à produção de SAF. A expectativa do setor é de continuidade da expansão da cultura, apoiada pelo aumento do interesse dos produtores e pelo potencial de crescimento do mercado de combustíveis renováveis. Fonte: Correio do Povo. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.