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08/Jul/2026

Bolsa de Chicago: China e clima sustentam futuros

As cotações da soja em Chicago avançaram com o aumento das compras chinesas de produto norte-americano e a persistência de temperaturas elevadas no Cinturão Agrícola dos Estados Unidos. Segundo a Standard Grain, a estatal chinesa Cofco adquiriu ao menos cinco carregamentos de soja dos Estados Unidos, equivalentes a 300 mil toneladas, para embarque entre setembro e novembro. O volume pode alcançar 600 mil toneladas caso novos negócios sejam confirmados. Com as operações recentes, as compras chinesas da nova safra norte-americana somam aproximadamente 500 mil toneladas, equivalente a cerca de 2% do volume de 25 milhões de toneladas que o governo dos Estados Unidos informou como compromisso de aquisição da China no ano comercial 2026/2027. Os anúncios de compras chinesas divulgados pelo governo norte-americano vêm sendo confirmados, ainda que em ritmo mais lento. O compromisso anterior de aquisição de 12 milhões de toneladas da safra passada foi cumprido.

A expectativa de um encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, Donald Trump e Xi Jinping, previsto para ocorrer em Washington por volta de 24 de setembro, também contribuiu para o movimento positivo do mercado. O período coincide com o início do pico dos embarques norte-americanos de soja para a China. Apesar do cenário favorável, as compras precisam acelerar para que a meta prevista seja alcançada. O mercado também acompanha possíveis negociações de milho dos Estados Unidos pela China, que poderiam integrar o compromisso de US$ 17 bilhões em produtos agrícolas anunciado em maio. Outro fator de sustentação para os preços é o clima nas regiões produtoras norte-americanas. Dados da CropProfit indicam que, entre 29 de junho e 4 de julho, as temperaturas mínimas noturnas ponderadas pela produção de milho nos Estados Unidos atingiram o maior nível da série iniciada em 1981, com média de 20,9°C.

Temperaturas noturnas elevadas reduzem a capacidade de recuperação das plantas após períodos de estresse térmico durante o dia, aumentando a preocupação do mercado com possíveis impactos sobre o potencial produtivo. Para os próximos sete dias, as áreas produtoras de milho dos Estados Unidos devem receber 73% do volume normal de chuvas, com temperaturas 2,8°C acima da média. Para o período de 8 a 14 dias, porém, as previsões indicam piora, com apenas 46% da chuva normal esperada e temperaturas 6,4°C acima da média. O padrão de calor deve persistir durante a terceira e quarta semanas de julho. Apesar das preocupações climáticas, as condições das lavouras ainda não apresentam deterioração generalizada. O milho permaneceu em 67% entre as classificações boa e excelente na última semana, acima da média histórica de 65%, mas abaixo dos 74% registrados no mesmo período do ano anterior. Entre os principais Estados produtores, Illinois apresentou índice de 58% em condição boa ou excelente, abaixo da média histórica de 60%; Ohio registrou 55%, ante média de 66%; e Nebraska ficou em 62%, abaixo dos 71% usuais.

Na soja, a condição das lavouras recuou um ponto percentual, para 64% entre boa e excelente, ainda acima da média histórica de 61%. Dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos (CFTC), referentes à semana encerrada em 30 de junho, indicaram que grandes gestores de recursos foram compradores líquidos de 8 mil contratos de milho e 1 mil contratos de soja, marcando a primeira semana de compras nos dois mercados desde o fim de abril. Na sessão de segunda-feira (06/07), os fundos adquiriram entre 36 mil e 50 mil contratos de milho, conforme estimativas citadas pela Standard Grain. O principal desafio permanece relacionado ao ritmo de vendas e embarques entre outubro e dezembro, período considerado estratégico para as negociações com a China após a colheita norte-americana. Nos embarques da semana encerrada em 2 de julho, o milho registrou 1,77 milhão de toneladas, queda de 9,6% ante a semana anterior e alta de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. A soja somou 518 mil toneladas, aumento de 19% na comparação semanal e de 32% ante igual período de 2025. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.