08/Jul/2026
Segundo a StoneX, o fortalecimento do El Niño no Oceano Pacífico equatorial aumenta os riscos para o plantio da soja no Brasil durante o terceiro trimestre de 2026, com possibilidade de estabelecimento irregular das lavouras e atraso na semeadura caso o retorno das chuvas ocorra de forma desigual nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste. Setembro será um período determinante para o início da safra brasileira de soja 2026/27. A irregularidade das chuvas no Centro-Oeste pode comprometer a recomposição da umidade do solo e afetar a abertura da janela de plantio das culturas de verão (1ª safra 2026/2027). O cenário está relacionado à rápida evolução do El Niño ao longo do primeiro semestre de 2026. O Pacífico equatorial passou de uma condição neutra para El Niño fraco entre março e maio, indicando uma mudança acelerada entre diferentes fases do sistema oceano-atmosfera. No período, o índice Niño 3.4 avançou de 0,0°C para 0,9°C. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) projeta anomalia média próxima de 2,0°C no trimestre, nível associado à possibilidade de ocorrência de um evento de forte intensidade.
O fenômeno tende a alterar padrões globais de precipitação e temperatura. No Brasil, o principal ponto de atenção está relacionado ao retorno da umidade antes do plantio. A irregularidade das chuvas em agosto pode dificultar a recuperação da umidade do solo no Brasil central. Além do El Niño, o Dipolo do Oceano Índico também é apontado como fator adicional de risco climático. A evolução para uma fase positiva do fenômeno pode aumentar a possibilidade de períodos mais secos na Indonésia, Austrália e sul da Ásia. Na América do Sul, o comportamento recente das chuvas apresentou elevada variabilidade. Em junho, volumes significativos atingiram a Região Sul do Brasil, Paraguai, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Porém, esse padrão foi considerado atípico para o período de estação seca e esteve associado principalmente à passagem de frentes frias e massas de ar polar, e não necessariamente a uma resposta consolidada do El Niño. Nos Estados Unidos, o foco climático está relacionado ao desenvolvimento das lavouras de soja.
A principal preocupação está concentrada no calor previsto para julho e agosto, período de enchimento de grãos, etapa considerada determinante para a produtividade da safra norte-americana. Outras culturas também permanecem expostas aos efeitos do cenário climático. No café, as chuvas ocasionais durante julho e agosto podem prejudicar a secagem e a qualidade dos grãos, enquanto setembro traz atenção para o desenvolvimento das floradas. No trigo, o excesso de umidade na Região Sul do Brasil pode favorecer doenças, enquanto a menor disponibilidade hídrica na Austrália amplia os riscos produtivos. No açúcar, chuvas frequentes no Centro-Sul podem interromper a colheita e reduzir a qualidade industrial da cana-de-açúcar. As projeções climáticas possuem caráter probabilístico e indicam tendências de chuva acima ou abaixo da média, sem determinar volumes exatos. Apesar disso, a consultoria avalia que o terceiro trimestre exige monitoramento das áreas em fase de plantio e desenvolvimento, diante da possibilidade de impactos sobre estabelecimento das lavouras, floração e enchimento de grãos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.