08/Jul/2026
Segundo a StoneX, o mercado global de soja inicia o terceiro trimestre sem restrições imediatas de oferta, mas permanece sensível ao desenvolvimento da safra 2026/27 dos Estados Unidos, ao ritmo do esmagamento industrial e ao cumprimento dos compromissos de compra da China. Destaque também para o impacto do El Niño já confirmado sobre o comportamento das lavouras norte-americanas. A recente queda das cotações refletiu principalmente a percepção de oferta confortável. O contrato contínuo da soja na Bolsa de Chicago encerrou junho cotado a US$ 11,16 por bushel, equivalente a aproximadamente US$ 410,20 por tonelada, com retração de 4,6% no segundo trimestre. O movimento foi influenciado pelas perspectivas favoráveis para a safra dos Estados Unidos, pela confirmação de produção recorde no Brasil e pela menor competitividade da soja norte-americana no mercado internacional em relação ao produto brasileiro. Apesar da pressão de oferta, a demanda segue como fator de sustentação para os preços.
A StoneX destaca o ritmo elevado de esmagamento no Brasil e nos Estados Unidos, as margens favoráveis da indústria e o avanço das políticas de biocombustíveis como elementos positivos para o mercado. Nos Estados Unidos, a projeção é de aumento do esmagamento de soja de 71,58 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 74,84 milhões de toneladas em 2026/27. O crescimento está associado ao fortalecimento da demanda interna por derivados e ao avanço do uso de óleo de soja na produção de biocombustíveis. A área plantada norte-americana foi confirmada em 34,55 milhões de hectares, expansão favorecida pelo custo elevado dos fertilizantes nitrogenados, que impacta de forma mais significativa a cultura do milho. A partir deste momento, o clima passa a ser a principal variável acompanhada pelo mercado. O El Niño foi confirmado em junho e existe 63% de probabilidade de ocorrência de um evento de forte intensidade entre novembro e janeiro. Até a aproximação da colheita, as condições climáticas devem permanecer como fator de influência sobre as cotações.
No comércio internacional, a China permanece como principal ponto de incerteza. Continua vigente o compromisso de compra de 25 milhões de toneladas anuais de soja dos Estados Unidos pelo país asiático, mas avalia que existem dúvidas sobre a execução integral desse acordo. Além disso, a China assumiu compromisso adicional de adquirir pelo menos US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas norte-americanos entre 2026 e 2028. Porém, a implementação dessas compras pode enfrentar desafios. Para o Brasil, a safra 2025/26 é estimada em recorde de 182,1 milhões de toneladas, sustentada pela expansão de área e por produtividades favoráveis na maior parte dos Estados, apesar das perdas registradas no Rio Grande do Sul. As exportações brasileiras de soja devem alcançar 113 milhões de toneladas em 2026. Mesmo com eventual aumento das compras chinesas de soja dos Estados Unidos, outros destinos podem reduzir aquisições do produto norte-americano e ampliar a demanda pela soja brasileira. O esmagamento nacional também deve permanecer acima do registrado em 2025, impulsionado pelo crescimento da produção de biodiesel e por margens industriais favoráveis.
A demanda interna contribui para absorver parte da oferta recorde, embora produtores brasileiros já planejem a safra 2026/27 em um cenário de custos elevados e preços menos atrativos, fator que pode influenciar decisões de área plantada e investimentos. Na Argentina, a safra 2025/26 encerrou acima das expectativas iniciais. A Bolsa de Rosário elevou sua estimativa para 51,5 milhões de toneladas, enquanto a Bolsa de Cereais de Buenos Aires projeta produção de 50,1 milhões de toneladas. O resultado reforça o quadro global de oferta confortável, embora a redução gradual das retenciones possa influenciar as decisões de plantio no próximo ciclo. No balanço geral, a o mercado de soja não apresenta restrição imediata entre oferta e demanda, mas registra maior nível de incerteza em comparação aos trimestres anteriores. Os principais fatores de acompanhamento são a definição da safra norte-americana e as decisões de plantio na América do Sul. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.