ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

08/Jul/2026

UE busca reduzir dependência de soja importada

A Comissão Europeia apresentou plano para reduzir a dependência da União Europeia (UE) de proteínas vegetais importadas, especialmente soja, e ampliar a produção doméstica de oleaginosas e culturas proteicas destinadas à alimentação animal. A estratégia estabelece como meta elevar de 25% para 35% a participação de oleaginosas e proteínas produzidas dentro do bloco até 2035. A iniciativa faz parte da estratégia europeia de fortalecimento da autonomia estratégica, segurança alimentar e resiliência das cadeias de abastecimento. Segundo a Comissão Europeia, a concentração das importações em poucos fornecedores externos aumenta a exposição do sistema agroalimentar europeu às oscilações do mercado internacional e amplia riscos geopolíticos relacionados ao fornecimento de insumos.

Atualmente, a União Europeia depende principalmente da importação de soja em grão e farelo de soja provenientes de países como Brasil, Estados Unidos e Argentina. Essas compras representaram aproximadamente 13,4 milhões de toneladas de proteína na temporada 2024/25, produzidas em cerca de 13 milhões de hectares fora do bloco, principalmente nos Estados Unidos e no Brasil, além da Argentina no caso do farelo de soja. Apesar da meta de ampliar a produção interna, a Comissão Europeia reconhece que a substituição das importações será limitada, principalmente devido à elevada dependência de fontes proteicas concentradas, como a soja. Atualmente, 74% dos insumos proteicos utilizados na alimentação animal na União Europeia são importados.

No caso específico da proteína de soja, a dependência externa chega a 94%, evidenciando a dificuldade de substituição integral do produto importado no curto e médio prazo. Além do aumento da produção doméstica, o plano prevê diversificação das origens de importação. A Ucrânia é apontada como parceiro estratégico nesse processo. O país produz 13,5 milhões de toneladas de proteína vegetal, das quais aproximadamente 60% são destinadas ao mercado externo. A Comissão Europeia avalia que uma eventual adesão da Ucrânia ao bloco poderia reduzir o déficit europeu de proteína vegetal de 13,9 milhões de toneladas para 4,7 milhões de toneladas e elevar o índice de autossuficiência de 76% para 86%. Para estimular a produção interna, a Comissão Europeia propõe incentivos aos agricultores, incluindo apoio financeiro ao cultivo de leguminosas e soja, estímulos à rotação de culturas, investimentos em armazenamento, processamento e infraestrutura, além de instrumentos de gestão de risco.

O plano destaca que culturas como soja, leguminosas e outras espécies fixadoras de nitrogênio possuem potencial de expansão por reduzirem a necessidade de fertilizantes e contribuírem para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa. A Comissão Europeia também pretende criar um indicador comum para acompanhar a evolução da autonomia proteica do bloco e ampliar o monitoramento dos mercados de cereais, oleaginosas e culturas proteicas. Entre as recomendações aos países-membros estão o fortalecimento das cadeias de valor locais, a adoção de políticas de incentivo à produção regional e a maior integração entre os setores agrícola e pecuário. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.