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08/Jul/2026

Biodiesel: demanda por óleo de soja nos EUA e Brasil

Segundo a StoneX, o óleo de soja permanece como principal fator de sustentação do mercado de óleos vegetais no terceiro trimestre de 2026, impulsionado pelo avanço das políticas de biocombustíveis nos Estados Unidos. A perda de força do petróleo como vetor de influência sobre as cotações desde março aumenta a relevância dos fundamentos de oferta e demanda para o complexo de óleos vegetais. Os incentivos ao setor de biocombustíveis levaram o óleo de soja negociado na Bolsa de Chicago a atingir, em maio, o maior nível em quatro anos, a 79,09 centavos de dólar por libra-peso. O movimento foi sustentado pela definição de metas mais elevadas para mistura de biocombustíveis nos Estados Unidos em 2026 e 2027, aumentando a expectativa de crescimento da produção de biodiesel e diesel renovável no país.

Outro fator destacado é o crédito fiscal 45Z, incentivo tributário destinado à produção de combustíveis com menor emissão de carbono. Com a alteração das regras, o subsídio ao óleo de soja avançou para cerca de US$ 0,60 por galão, ante US$ 0,35 por galão anteriormente. Essas medidas ampliam a destinação do óleo de soja para o setor de biocombustíveis. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta consumo de 8,07 milhões de toneladas de óleo de soja para biocombustíveis na safra 2026/27, volume 25,4% superior ao ciclo atual. Apesar do suporte da demanda, o cumprimento das metas obrigatórias de biocombustíveis nos Estados Unidos ainda apresenta atraso. A geração dos créditos que comprovam a mistura obrigatória permanece abaixo do necessário para atender às exigências anuais estabelecidas pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).

Esse cenário tende a exigir aumento da produção de biocombustíveis nos próximos meses, sustentando a demanda das indústrias de biodiesel e diesel renovável por óleo de soja e estabelecendo um piso para as cotações na Bolsa de Chicago, mesmo com menor influência do petróleo. No Brasil, a dinâmica apresenta características diferentes. As vendas de biodiesel permaneceram elevadas, com crescimento de 7,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas em ritmo inferior ao aumento da oferta de óleo. O esmagamento recorde de soja no primeiro quadrimestre elevou a produção de óleo em 9,4%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), ampliando a disponibilidade interna. Com maior oferta no mercado doméstico, as exportações brasileiras de óleo de soja acumularam crescimento de 44% entre janeiro e maio, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Para 2026, a projeção é de processamento recorde de 63 milhões de toneladas de soja no Brasil, com produção de 12,5 milhões de toneladas de óleo de soja, aumento de 5,2% em relação ao ano anterior. A demanda interna também deve avançar, com crescimento estimado de 6,8% no consumo de biodiesel e acréscimo de aproximadamente 1 milhão de toneladas de óleo de soja consumidas em comparação com 2025. Apesar disso, a consultoria avalia que a recuperação das cotações tende a permanecer limitada enquanto não houver definição sobre o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel. Os testes com maior teor de mistura iniciados em maio podem acelerar a avaliação para novos mandatos, mas ainda não há resultados técnicos conclusivos que permitam a adoção imediata do B16. A StoneX avalia que a elevação da mistura para 16% de biodiesel no diesel ainda pode ocorrer no segundo semestre, porém em prazo menos favorável do que o inicialmente esperado pelo setor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.