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07/Jul/2026

Grãos: mercado global segue com tendência baixista

Segundo a Céleres, a perspectiva de uma safra cheia de soja nos Estados Unidos em 2026/27 reduz as chances de recuperação das cotações no mercado brasileiro ao longo de 2026 e no início de 2027, mesmo com a possibilidade de volatilidade no curto prazo influenciada pelas condições climáticas norte-americanas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção de 120,7 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27, avanço de 4,1% em relação ao ciclo anterior, sustentado por produtividade recorde. O plantio foi concluído em ritmo mais rápido que no ciclo passado e dentro da janela histórica, enquanto as lavouras apresentam condições consideradas favoráveis, com cerca de 22% da produção ainda sob algum nível de seca. A demanda mais aquecida, impulsionada pelo esmagamento e pelo aumento das exportações com apoio do acordo comercial com a China, limita a formação de estoques, que devem recuar de 9,3 milhões de toneladas em 2025/26 para 8,5 milhões de toneladas em 2026/27. A relação estoque/consumo deve cair de 8,0% para 6,9%.

Ainda assim, o ajuste não é suficiente para alterar o viés baixista do mercado global, diante da ampla oferta mundial e dos estoques ainda elevados nos Estados Unidos. Os embarques norte-americanos permanecem abaixo dos níveis observados antes da guerra tarifária, o que mantém incertezas no comércio global. Mesmo com suporte parcial aos preços na Bolsa de Chicago, a consultoria projeta cotação média de US$ 11,04 por bushel no segundo semestre, acima dos US$ 10,07 por bushel registrados em 2025/26, mas ainda limitada pela pressão de oferta. No mercado brasileiro, o cenário externo mais frouxo soma-se à valorização do real e pressiona as cotações. Em Lucas do Rio Verde (MT), os preços da soja recuaram 6% em relação ao primeiro semestre de 2025 e estão 23% abaixo da média dos últimos cinco anos para o período. Apesar disso, os prêmios de entressafra seguem sustentados pela demanda interna, especialmente do esmagamento. No milho, a redução de área nos Estados Unidos em favor da soja leva o USDA a projetar produção de 406,2 milhões de toneladas em 2026/27, abaixo do recorde de 432,3 milhões de toneladas da safra anterior.

A menor área plantada e a leve queda de produtividade, ainda dentro da normalidade climática, reduzem a oferta em relação ao ciclo anterior, mas os estoques elevados mantêm a disponibilidade global em patamar confortável. A relação estoque/consumo do milho recua para 12,1%, embora ainda elevada em termos históricos. Mesmo com a menor relação estoque/consumo global desde 2012/13, a oferta norte-americana segue pressionando os preços na Bolsa de Chicago, com projeção de alta limitada a US$ 0,10 por bushel no segundo semestre, para US$ 4,30 por bushel. Para o Brasil, o cenário norte-americano tende a restringir a competitividade do milho até o início de 2027, especialmente para a 2ª safra de 2026. Por outro lado, a forte demanda interna e a menor produtividade da 2ª safra de 2026 devem manter os preços domésticos acima da paridade de exportação. A Céleres também aponta a volatilidade cambial como fator relevante para a rentabilidade, com eventual desvalorização do real podendo dar suporte às exportações no período de maior oferta. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.