07/Jul/2026
O mercado internacional da soja entrou em uma fase de maior dependência da demanda chinesa e das condições climáticas nos Estados Unidos, enquanto a oferta norte-americana já está praticamente definida. Segundo a Stag Securities, caso a China adquira 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos e a produtividade média alcance 3,53 toneladas por hectare, o balanço de oferta e demanda exigirá racionamento do consumo por meio de preços mais elevados. Os contratos futuros da soja permaneceram sustentados na última semana pela expectativa de retomada das compras chinesas de soja norte-americana. No entanto, nem o sistema diário de vendas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) nem os dados semanais de exportação confirmaram aquisições relevantes pela China ou por destinos classificados como desconhecidos. Assim, o mercado continua sendo influenciado principalmente pelas expectativas, e não por operações efetivamente registradas. A ausência de confirmações não elimina o viés de alta.
Os rumores sobre possíveis compras chinesas têm sido suficientes para sustentar o sentimento positivo e ampliar a volatilidade. Historicamente, este é o período em que os importadores chineses intensificam as aquisições de soja dos Estados Unidos para abastecer a demanda do quarto trimestre, mantendo elevada a sensibilidade do mercado às notícias envolvendo a China. Com a área cultivada de soja nos Estados Unidos consolidada em 34,6 milhões de hectares, o foco do mercado desloca-se da oferta para a capacidade de atender uma demanda mais forte. Considerando produtividade de 3,53 toneladas por hectare e esmagamento doméstico próximo de 74,9 milhões de toneladas, compras chinesas de 25 milhões de toneladas reduziriam significativamente a disponibilidade para outros importadores. Nesse cenário, países compradores tenderiam a buscar soja em origens alternativas, especialmente Brasil e Argentina, ou adiar novas aquisições. A avaliação considera que, nos últimos anos, os Estados Unidos exportaram cerca de 25 milhões de toneladas anuais de soja para mercados diferentes da China, volume que se aproximou de 30 milhões de toneladas no ano comercial 2025/26.
Caso a China adquira 25 milhões de toneladas da safra norte-americana, restariam aproximadamente 18 milhões de toneladas disponíveis para os demais importadores, exigindo reequilíbrio da demanda internacional. As condições climáticas nos Estados Unidos constituem o segundo principal fator de atenção para o mercado. As previsões indicam precipitações abaixo da média em áreas do Meio Oeste nas próximas semanas. Embora as temperaturas ainda não representem ameaça significativa ao desenvolvimento das lavouras, a redução da umidade do solo poderá comprometer o potencial produtivo caso persista durante julho, período que antecede a fase crítica da cultura, concentrada em agosto, quando ocorre o enchimento e a fixação das vagens. Parte das lavouras apresenta condições inferiores às observadas no mesmo período do ano passado. Em Iowa, 75% das áreas são classificadas entre boas e excelentes, frente a 77% em igual período de 2025. No Missouri, esse percentual caiu para 57%, ante 72% no ano anterior.
Em Indiana, o índice recuou para 64%, abaixo dos 71% registrados na semana anterior. A corretora avalia que qualquer deterioração adicional das condições climáticas poderá fortalecer o viés de alta dos preços. No mercado físico, a China manteve compras de soja brasileira durante a última semana, concentrando embarques para agosto e setembro. As vendas dos produtores brasileiros seguem em ritmo lento, com aproximadamente 72% a 73% da safra 2025/26 já comercializada, mantendo parcela relevante da produção ainda nas propriedades. Esse cenário limita a disponibilidade de oferta no curto prazo e sustenta os prêmios FOB. Ao mesmo tempo, a combinação entre prêmios FOB firmes no Brasil e a recente valorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago reduziu as margens de esmagamento na China. A expectativa é de que a chegada da soja brasileira adquirida entre maio e junho recomponha os estoques chineses e melhore a oferta no curto prazo, permitindo que as indústrias desacelerem temporariamente o ritmo de novas compras até que haja maior definição sobre o clima nos Estados Unidos e a trajetória dos preços internacionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.