03/Jul/2026
Segundo o Itaú BBA, a possibilidade de ocorrência de um El Niño mais forte na safra 2026/27 aumenta a sensibilidade do balanço global de soja a eventuais perdas na América do Sul. O cenário-base da instituição ainda não incorpora uma alta expressiva de preços, mas o mercado opera com menor margem para absorver eventuais quebras de produção. O superávit global de soja, medido pela diferença entre produção e consumo, recuou de cerca de 15 milhões de toneladas há três anos para um nível próximo de equilíbrio. Nesse contexto, uma frustração relevante na produção brasileira teria impacto mais significativo sobre o balanço global, podendo alterar a dinâmica de preços. Uma quebra semelhante à registrada em Mato Grosso em 2023 poderia reduzir em cerca de 5 milhões de toneladas a oferta global, levando o mercado a um eventual déficit de magnitude semelhante.
Apesar disso, esse não é o cenário-base, mas um risco adicional em um ambiente já marcado por margens comprimidas no setor produtivo. O efeito do El Niño sobre o Brasil tende a ser heterogêneo. Embora o fenômeno possa beneficiar algumas regiões, como parte do Sul do País, há preocupação com impactos localizados em Estados-chave para a produção de soja, como Mato Grosso, Bahia, Tocantins e Piauí. O setor agrícola está mais preparado para enfrentar variações climáticas em comparação com ciclos anteriores, com avanço tecnológico, melhoria de manejo e maior estruturação de solos, o que pode reduzir parte dos impactos produtivos. Ainda assim, o comportamento climático em Mato Grosso é apontado como determinante para a formação de preços na próxima safra.
No cenário internacional, a safra norte-americana de soja apresenta desenvolvimento favorável, o que desloca o foco do mercado para a América do Sul. Caso o Brasil mantenha produção sem perdas relevantes, a tendência é de manutenção de preços em níveis estáveis, em um ambiente ainda pressionado por margens apertadas. O El Niño também pode afetar outras culturas. Na Região Sul do País, o excesso de chuvas entre setembro e outubro pode prejudicar o trigo em um contexto de rentabilidade já reduzida. No caso do arroz, há risco de menor luminosidade, o que pode limitar ganhos de produtividade em sistemas irrigados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.