02/Jul/2026
Segundo a StoneX, os relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mantêm o mercado de soja concentrado na evolução da demanda chinesa e nas condições climáticas, com avaliação de que compras da China acima do já embutido nas projeções oficiais exigiriam ajuste por meio de racionamento de demanda no mercado norte-americano. A área de soja nos Estados Unidos foi estimada em 34,55 milhões de hectares, volume considerado suficiente para acomodar parte de uma demanda adicional, mas insuficiente para eliminar riscos de aperto caso o ritmo de compras chinesas supere o cenário-base do USDA, que trabalha com algo próximo de 15 milhões de toneladas de importações chinesas no balanço, volume considerado já amplamente precificado pelo mercado.
Os Estados Unidos conseguiriam absorver entre 18 e 20 milhões de toneladas destinadas à China sem desequilíbrio relevante, mas volumes próximos de 25 milhões de toneladas exigiriam racionamento de demanda, com impacto direto sobre os preços. A definição desse fluxo, porém, deve ocorrer apenas ao longo dos próximos meses, diante da falta de clareza no ritmo de compras. No mercado físico, rumores apontam para possível intenção do governo chinês de adquirir ao menos 15 milhões de toneladas até o fim do ano, patamar que já estaria incorporado às cotações atuais, o que explica a reação limitada do mercado após a divulgação dos dados do USDA.
No milho, o principal destaque foi o nível de estoques trimestrais abaixo do esperado. Os estoques em 1º de junho ficaram 17,8 milhões de toneladas acima do ano anterior, mas 2,9 milhões de toneladas abaixo das expectativas do mercado. O resultado sugere possível superestimação da safra anterior e pode levar a ajustes oficiais apenas em setembro, durante o período de colheita da nova safra. A área de milho nos Estados Unidos foi estimada em 38,58 milhões de hectares, praticamente em linha com a leitura de março e levemente acima das expectativas de parte do mercado. O desempenho foi influenciado por preços mais firmes durante o período de decisão de plantio e pela antecipação na compra de fertilizantes por produtores.
O mercado de milho passa a depender mais diretamente do comportamento climático nas próximas semanas. A tendência de preços dependerá da confirmação de padrões de temperatura e precipitação, com possibilidade de sustentação de recuperação em caso de novo estresse térmico ou perda de umidade nas principais regiões produtoras. No trigo, a redução na área de trigo de inverno contribui para leve aperto no balanço, mas não altera de forma imediata o cenário global de preços, que segue condicionado à competitividade do trigo do Mar Negro. A área total de trigo nos Estados Unidos foi estimada em 17,28 milhões de hectares, uma das menores da série recente.
O mercado não enfrenta risco de desabastecimento antes da próxima colheita, exceto em caso de problemas relevantes em outras regiões produtoras. Uma eventual redução de oferta na Europa, associada a calor e seca, pode oferecer suporte marginal aos preços globais. Medidas comerciais envolvendo fertilizantes fosfatados de origem marroquina, com avaliação de que reduções tarifárias podem ter impacto limitado sobre os preços nos Estados Unidos, uma vez que o produto local já se encontra relativamente competitivo frente ao mercado internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.