01/Jul/2026
Segundo o Bradesco, o avanço do El Niño pode limitar a produção brasileira de soja na safra 2026/27 e dar sustentação aos preços domésticos, mesmo em um cenário de equilíbrio entre oferta e demanda no mercado global. A projetação de produção é de 182 milhões de toneladas no Brasil, volume semelhante ao da safra anterior, mas eventuais perdas no Centro-Oeste poderão restringir a expansão da oferta mundial. A safra global 2025/26 encerra com balanço confortável, favorecida pelo desempenho acima do esperado das lavouras do Brasil e da Argentina. Ao mesmo tempo, o crescimento da demanda por biocombustíveis, principalmente no Brasil e nos Estados Unidos, contribuiu para equilibrar o mercado, enquanto as relações comerciais entre China e Estados Unidos seguiram influenciando as cotações internacionais. Para a temporada 2026/27, o Bradesco projeta elevado potencial produtivo nos Estados Unidos, sustentado pelo aumento da área cultivada e por condições climáticas favoráveis.
Na América do Sul, o El Niño tende a beneficiar a produção argentina, enquanto, no Brasil, os impactos devem variar entre as regiões. O fenômeno normalmente favorece a produtividade no Rio Grande do Sul, reduz o potencial produtivo nas Regiões Norte e Nordeste e apresenta comportamento mais incerto na Região Centro-Oeste, principal polo produtor do País. Episódios intensos de El Niño já provocaram atraso no início das chuvas e irregularidade das precipitações no Centro-Oeste, fatores que podem comprometer o plantio, elevar os riscos operacionais e limitar os ganhos de produtividade, dependendo da distribuição das chuvas ao longo do ciclo da cultura. No cenário de demanda, a previsão é de continuidade da expansão do consumo mundial, impulsionada pela ampliação dos programas de biocombustíveis nos Estados Unidos e pela expectativa de adoção da mistura obrigatória de B16 no Brasil a partir de agosto.
Na China, o consumo de soja também deverá crescer, embora as importações tendam a permanecer estáveis devido aos elevados estoques e ao aumento da produção doméstica. O acordo comercial entre China e Estados Unidos prevê a negociação de 25 milhões de toneladas de soja na próxima safra. No entanto, a soja norte-americana apresenta margens negativas para o esmagamento na China e menor competitividade frente ao produto brasileiro e argentino. Caso o acordo seja integralmente executado, a expectativa é de manutenção dos preços na Bolsa de Chicago em níveis considerados remuneradores. Além das condições climáticas, o banco alerta que os custos de produção permanecem como fator de atenção para a safra 2026/27. A continuidade das tensões no Oriente Médio tende a manter pressão sobre a aquisição de insumos importados, especialmente fertilizantes fosfatados, para os quais não são esperadas quedas expressivas de preços nas próximas semanas, mantendo elevados os custos de produção no próximo ciclo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.