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30/Jun/2026

EUA: relatório USDA deverá indicar ampla oferta

Segundo a Stag Securities, o relatório de área plantada do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), com divulgação prevista para esta terça-feira (30/06), deve confirmar expansão da soja no país em relação à estimativa de março, reforçando um cenário de oferta mais folgada para a safra 2026/27. Apesar disso, a trajetória dos preços após a divulgação tende a permanecer mais sensível às condições climáticas no Meio Oeste dos Estados Unidos e à evolução da demanda chinesa. As projeções de mercado indicam área plantada de 34,6 milhões de hectares, acima dos 34,3 milhões de hectares, reportados em março.

A leitura é sustentada por incentivos econômicos favoráveis ao aumento da área, boas condições de campo no início do ciclo, competitividade relativa da soja frente ao milho e ao algodão e melhora das perspectivas de demanda após elevação das metas de biocombustíveis pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA). Caso a área seja confirmada em 34,6 milhões de hectares, o balanço da safra 2026/27 indicaria acréscimo de cerca de 1,1 milhão de toneladas de soja na produção norte-americana. Os estoques finais poderiam avançar de 8,4 milhões de toneladas para 9,6 milhões de toneladas, elevando a relação estoque/uso de 6,9% para 7,8%. O histórico mostra que o relatório de junho superou o de março apenas uma vez desde 2020, o que amplia a relevância do dado deste ano.

A demanda chinesa permanece como principal fator de incerteza. Em tratativas recentes entre Estados Unidos e China, foi mencionada a possibilidade de compras de até 25 milhões de toneladas de soja norte-americana no próximo ano comercial, sem confirmação de acordo formal. A tarifa de 10% sobre a soja dos Estados Unidos continua em vigor, mantendo o ambiente de volatilidade associado a rumores de novas compras e à ausência de contratos efetivos. Os compromissos de exportação da nova safra somam cerca de 2,2 milhões de toneladas, acima da média de 1,1 milhão de toneladas observada no mesmo estágio das duas últimas temporadas. O avanço, no entanto, tem origem predominante em destinos não chineses, com parte relevante das vendas recente registrada como “destinos desconhecidos”, o que limita a identificação da origem da demanda.

No cenário climático, as condições seguem favoráveis no início de julho, com projeções de temperaturas mais amenas e precipitação entre normal e acima da média em grande parte do Meio Oeste e das Planícies dos Estados Unidos. Embora ainda haja possibilidade de episódios de calor acima da média em áreas específicas do cinturão produtor, não há indicação de risco relevante no curto prazo. A manutenção de um padrão mais úmido pode levar o mercado a revisões de produtividade acima da tendência histórica ainda no decorrer de julho. Nesse contexto, a combinação de expansão de área e clima favorável reforça a perspectiva de safra cheia nos Estados Unidos, com potencial de pressão sobre os preços da soja nova. A leitura é de que, após a divulgação do relatório do USDA, o mercado deve passar a ser guiado principalmente pela dinâmica climática e pela evolução da demanda chinesa, com tendência de maior volatilidade em relação às últimas semanas.

Para a Hedgepoint Global Markets, o relatório de área plantada do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deve confirmar leve expansão da soja e recuo do milho em relação às intenções de plantio de março, com viés baixista para a oleaginosa e altista para o cereal, mas a possibilidade de surpresas não está descartada, o que pode ampliar a volatilidade na Bolsa de Chicago. O consenso aponta área plantada de soja de 34,5 milhões de hectares, alta de 0,8% em relação aos 34,3 milhões de hectares informados em março. Para o milho, o mercado projeta recuo de 0,4%, de 38,6 milhões de hectares para 38,4 milhões de hectares. O trigo deve permanecer praticamente estável, em 17,7 milhões de hectares.

Não são grandes mudanças em relação a março, mas se se confirmar esse aumento de soja e diminuição de milho, naturalmente pode ter um relatório com tom levemente baixista para soja e levemente altista para o milho. Mudanças mais relevantes entre o relatório de março e o de junho costumam ocorrer em anos com atraso no plantio, o que não foi o caso nesta temporada. Os trabalhos avançaram sem grandes interrupções climáticas entre abril e maio, em ambiente de campo amplamente favorável. Ainda assim, o quadro regular desta temporada não elimina a possibilidade de surpresa. O produtor norte-americano é essencialmente um produtor de milho, e a soja ainda carrega mais incertezas do lado da demanda, especialmente em relação à China e à guerra comercial. O produtor norte-americano ainda tem mais dúvidas em relação à soja.

Nesse contexto, um resultado diferente do esperado, com aumento de área de milho e redução de soja, ou até manutenção das áreas, não pode ser descartado. Com o plantio acelerado nesta temporada, sem restrições de campo, tanto soja quanto milho tiveram janela ampla para avançar, o que abre espaço para qualquer direção. Se os números vierem em linha com o esperado, o efeito do relatório tende a ser moderado. A Hedgepoint projeta, no cenário central, um relatório levemente baixista para a soja, levemente altista para o milho e neutro para o trigo. Mas, desvios do consenso podem mudar esse quadro. Embora não deva trazer grandes movimentações para os rumos do mercado, se trouxer surpresas, pode ter uma volatilidade um pouco maior. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.