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29/Jun/2026

Setor privado da China mantém compras no Brasil

As compras chinesas de soja dos Estados Unidos em 2026 permanecem concentradas em empresas estatais, enquanto o setor privado e multinacionais seguem priorizando o abastecimento com grão brasileiro. As estatais Sinograin e Cofco concentram a maior parte das importações de soja norte-americana pela China no período, enquanto empresas privadas operam com origem brasileira, refletindo uma divisão estrutural no fluxo comercial do grão entre os dois países. Dados da alfândega chinesa indicam que, entre janeiro e maio de 2026, a China importou 8,38 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos, todas adquiridas por empresas registradas em Pequim, perfil associado principalmente às estatais. No mesmo período, foram importadas 22,68 milhões de toneladas de soja brasileira, distribuídas entre empresas localizadas em 23 províncias, padrão que acompanha a localização das plantas de esmagamento na costa leste chinesa. Empresas sediadas em Pequim não registraram importações de soja brasileira no período.

Em comparação com 2025, empresas de Pequim haviam importado 4,67 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos entre janeiro e maio, enquanto companhias de outras 20 províncias responderam por 9,9 milhões de toneladas. A leitura reforça a segmentação entre compras estatais e privadas no mercado chinês. Em dezembro de 2025, a Sinograin realizou leilões para venda de estoques de soja adquiridos em 2022 e 2023, com o objetivo de abrir espaço para a entrada do produto norte-americano vinculado a compromissos comerciais. No entanto, foram comercializadas cerca de 2 milhões de toneladas, volume inferior ao necessário para reorganização dos estoques. As estatais chinesas teriam cumprido o compromisso inicial de 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos, com embarques crescendo de 6,4 milhões de toneladas em dezembro de 2025 para 11 milhões em março de 2026, atingindo aproximadamente 11,75 milhões de toneladas em meados de junho, considerando a defasagem logística. O desafio está na meta de 25 milhões de toneladas, que dependeria da participação do setor privado, que não possui obrigação de compra e mantém decisão baseada em critérios de custo.

Nesse cenário, a competitividade da soja brasileira segue determinante para o fluxo de importação. A redução de tarifas sobre produtos norte-americanos seria necessária para aumentar a atratividade do grão dos Estados Unidos no mercado chinês privado. A primeira compra da safra 2026/27, de 132 mil toneladas, foi registrada em junho, em meio à redução do diferencial de preços entre as origens. O estudo também destaca a ausência de clareza sobre a métrica do acordo de compras, com interpretações distintas entre ano civil e ano comercial, além de divergências sobre a contabilização dos volumes já importados, o que reforça a incerteza sobre o cumprimento integral das metas anunciadas. Na avaliação final, o cumprimento parcial do compromisso inicial foi viabilizado pelo controle estatal das estatais chinesas, enquanto o avanço para o volume total depende da adesão do setor privado, que segue priorizando o Brasil em função da competitividade de preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.