29/Jun/2026
O mercado de soja encerra o mês de junho sob pressão, em meio à leitura de que o fluxo comercial pelo Estreito de Ormuz tende à normalização e de que o clima nos Estados Unidos segue, por ora, sem risco imediato às lavouras. A avaliação de agentes do mercado é de que essa percepção de estabilidade, no entanto, pode não se sustentar, diante de incertezas geopolíticas e climáticas ainda presentes. No cenário de commodities, a maior parte dos ativos ligados a alimentos e energia acumulou perdas ao longo do mês, em um movimento associado à redução da aversão ao risco após uma trégua parcial no conflito envolvendo o Irã. Ainda assim, episódios recentes de tensão no Estreito de Ormuz, incluindo ataque a embarcação e desaceleração do tráfego, indicam que o ambiente permanece instável. A leitura geopolítica aponta que o Irã tem adotado ações calibradas na região, considerando variáveis políticas nos Estados Unidos e a sensibilidade dos preços de combustíveis em ano eleitoral, o que mantém o risco de novas interrupções no fluxo marítimo internacional.
No curto prazo, o mercado aguarda a divulgação do relatório trimestral de estoques e área plantada do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), com expectativa de migração limitada de área do milho para a soja, sem impacto estrutural relevante sobre preços. Ainda assim, há histórico de que esse tipo de dado pode gerar surpresas relevantes, especialmente nos estoques, que representam a disponibilidade efetiva de grãos. Após o relatório, o foco deve se deslocar para o clima no Meio Oeste dos Estados Unidos. Modelos meteorológicos seguem divergentes, com projeções que indicam desde formação de alta pressão sobre as regiões produtoras até influência de padrões associados ao El Niño, com efeitos distintos sobre chuvas e temperaturas. O período entre 10 e 30 de julho é considerado crítico para a safra de milho, por coincidir com a fase de polinização, elevando a sensibilidade do mercado a mudanças climáticas. No lado da demanda, a China permanece como principal variável para a soja.
Há expectativa de compras de até 25 milhões de toneladas de soja norte-americana no novo ciclo comercial, com início em setembro, mas até o momento apenas cerca de 200 mil toneladas foram confirmadas. Parte do mercado considera que um volume intermediário já está precificado, enquanto a execução total do compromisso ainda é incerta. O avanço da oferta brasileira a partir do início do próximo ano é apontado como fator de competição direta, limitando o espaço adicional para a soja dos Estados Unidos no mercado chinês. Ainda assim, o histórico recente de cumprimento parcial de compras pela China impede que o mercado descarte completamente o cenário projetado. Em uma hipótese de execução integral das compras previstas, haveria impacto relevante na redistribuição global de fluxos de soja, com pressão sobre prêmios no Brasil e necessidade de ajuste de preços nos Estados Unidos. Apesar disso, a avaliação predominante segue de cautela quanto à concretização plena dessas projeções. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.