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29/Jun/2026

Grãos: mercado monitora China e relatório do USDA

Os preços da soja voltaram a subir de forma consistente na Bolsa de Chicago, sustentados por fatores como alta do óleo de soja, enfraquecimento do dólar, avanço do petróleo e expectativas de novas compras da China para a safra norte-americana 2026/27. O movimento ocorre em meio à expectativa de divulgação dos relatórios de área plantada e estoques do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previstos para esta terça-feira (30/06). No mercado, a atenção se volta para a possibilidade de a China ampliar compras além de operações pontuais, em um período considerado tradicionalmente mais forte para aquisições do país.

As compras já confirmadas da nova safra representam cerca de 1% do volume estimado de 25 milhões de toneladas que a China teria se comprometido a adquirir dos Estados Unidos. Apesar disso, agentes do mercado avaliam que a janela de compras mais relevantes deve se intensificar nas próximas semanas, podendo incluir também milho, sorgo e outros grãos. O desempenho das exportações da soja americana na safra velha segue abaixo da média histórica, com a China adquirindo menos da metade do volume usual. Ainda assim, dados semanais mais recentes indicam recuperação, com embarques de 17 milhões de bushels na semana encerrada em 18 de junho, alta de 50% em relação à média das quatro semanas anteriores, com destinos não identificados liderando as compras.

Do ponto de vista técnico, o contrato novembro encontrou suporte na faixa de US$ 11,30 por bushel, nível associado a máximas registradas no fim de 2025. O mercado observa se a commodity conseguirá sustentar fechamento acima de US$ 11,46, patamar considerado relevante para confirmar redução da pressão vendedora. No mercado de milho, o contrato dezembro avançou para US$ 4,43 por bushel, em movimento de recuperação técnica após período de pressão de fundos. O fechamento acima das máximas anteriores e da média móvel de dez dias reforça a percepção de reversão de curto prazo, com operadores avaliando se o mercado conseguirá sustentar níveis acima de US$ 4,40 por bushel.

As atenções também estão voltadas ao relatório do USDA, que deve indicar redução na área de milho em relação à intenção de plantio divulgada em março e aumento na área de soja. Estimativas de mercado apontam estoques de milho cerca de 16% acima do registrado no ano anterior, soja com alta de 4% e trigo com aumento de 9%. Após a divulgação do relatório, o clima deve voltar a influenciar o mercado. O Meio Oeste dos Estados Unidos registrou condições mais úmidas em junho, mas as projeções indicam redução das chuvas e aumento das temperaturas nas próximas semanas, com risco de estresse em áreas produtoras caso o padrão de calor e menor umidade se intensifique.

Nas exportações de milho, os embarques somaram 29 milhões de bushels na última semana, queda de 36% ante a semana anterior, com o México como principal destino. Apesar da redução semanal, o ritmo acumulado da safra segue em níveis recordes. No cenário geopolítico, declarações sobre possível uso de recursos iranianos para compra de grãos norte-americanos e tensões no Estreito de Ormuz adicionaram volatilidade ao petróleo, com impactos indiretos sobre o mercado de grãos, embora a influência desse fator tenha perdido força recente. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.