26/Jun/2026
A Acelen Renováveis, controlada pela Mubadala Capital, e a Trafigura firmaram um acordo estratégico para fornecimento de matérias-primas e comercialização de combustíveis renováveis destinados à biorrefinaria em desenvolvimento na Bahia. O entendimento estabelece a atuação da trading global tanto na garantia de insumos quanto na compra de parte da produção futura, com foco nos mercados da América do Norte e da Europa. Segundo a Acelen Renováveis, cerca de 90% dos contratos necessários para a operação da biorrefinaria já estão assegurados, incluindo acordos de fornecimento de matérias-primas e contratos de offtake de longo prazo voltados principalmente aos Estados Unidos e à Europa. O avanço contratual é considerado um marco no cronograma do projeto, que também conta com financiamento de US$ 1,5 bilhão já anunciado.
A unidade em desenvolvimento utilizará tecnologia HEFA e terá capacidade de produção de até 1 bilhão de litros por ano de combustíveis renováveis, incluindo SAF (combustível sustentável de aviação) e HVO (diesel renovável). O projeto também prevê a produção de nafta verde, insumo utilizado na fabricação de gasolina e plásticos de origem renovável. O acordo estabelece o fornecimento pela Trafigura de aproximadamente 470 mil toneladas métricas anuais de óleo de cozinha usado, matéria-prima destinada à produção de cerca de 459 milhões de litros de SAF. Em contrapartida, a empresa adquirirá parte da produção de SAF, HVO e nafta verde, consolidando sua participação em diferentes etapas da cadeia de valor dos combustíveis renováveis. A operação prevista inclui cerca de 5.500 barris por dia de SAF e HVO, volume equivalente ao abastecimento de até seis voos diários na rota São Paulo-Paris, considerando aeronaves de grande porte como o Airbus A380.
Os produtos deverão atender requisitos internacionais de certificação e rastreabilidade, como ISCC EU e padrões estabelecidos pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA). A integração entre fornecimento de matérias-primas certificadas e acesso a mercados consumidores globais é apontada como elemento central para a viabilidade do projeto, reduzindo riscos operacionais e ampliando previsibilidade comercial. A parceria também reforça a inserção do Brasil na cadeia global de combustíveis sustentáveis de aviação e derivados renováveis. O avanço ocorre em um contexto de expansão da demanda internacional por combustíveis de baixa emissão, com crescente pressão regulatória e metas de descarbonização nos principais mercados globais, especialmente nos setores de aviação e transporte. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.