24/Jun/2026
No mercado interno de soja, os preços registraram alta entre R$ 1,00 e R$ 1,50 por saca de 60 Kg nesta terça-feira (23/06). O dólar encerrou o pregão desta terça-feira (23/06) em alta frente ao Real, em um ambiente marcado por maior aversão ao risco nos mercados globais e expectativas em torno da política monetária dos Estados Unidos. O dólar subiu 0,89% e fechou a R$ 5,18. Trata-se do maior nível de encerramento desde 30 de março. O Federal Reserve pode manter uma postura mais restritiva por mais tempo, especialmente às vésperas da divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE), referência central para a inflação norte-americana. A divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu parte das incertezas geradas pelo comunicado anterior, mas manteve leitura de maior volatilidade e de indefinição sobre a trajetória da Selic. O diferencial de juros segue elevado, embora com menor atratividade para estratégias de carry trade em função do aumento da oscilação cambial. Outro fator de pressão sobre o Real foi o comportamento das commodities, em especial o petróleo. O Brent recuou 0,93%, cotado a US$ 76,80 por barril, acumulando queda superior a 15% em junho. O cenário global também foi influenciado por dados econômicos mistos e maior percepção de risco, com destaque para sinais de desaceleração na Europa e atividade mais forte nos Estados Unidos.
Os contratos futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago encerraram praticamente estáveis nesta terça-feira (23/06), refletindo um equilíbrio entre fatores técnicos de sustentação e fundamentos ainda pressionados pelo cenário de ampla oferta nos Estados Unidos. O vencimento novembro fechou a US$ 11,41 por bushel, com leve valorização de 0,02%, em um pregão marcado pela cobertura de posições vendidas por parte dos investidores. O movimento ocorreu após dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostrarem uma redução expressiva das posições líquidas compradas dos fundos de investimento na semana encerrada em 16 de junho, indicando um reposicionamento dos agentes financeiros diante das recentes quedas do mercado. Apesar desse suporte técnico, os fundamentos continuam limitando ganhos mais consistentes.
O principal fator de pressão permanece sendo o bom desenvolvimento das lavouras norte-americanas. A safra norte-americana segue com elevado potencial produtivo. Isso reduz o espaço para avanços expressivos das cotações. Outro elemento baixista veio dos derivados da oleaginosa. As quedas nos mercados de farelo e óleo de soja reduziram o suporte para os contratos do grão. A demanda internacional também segue no radar dos participantes. O mercado esperava novas compras por parte dos importadores chineses. O comportamento da demanda chinesa continuará sendo determinante para a trajetória dos preços nos próximos meses. No curto prazo, entretanto, o mercado tende a permanecer fortemente influenciado pelas condições climáticas nos Estados Unidos.
Em São Paulo, na região de Campinas, tradings indicam R$ 135,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega no Porto de Paranaguá (PR) ou Porto de Santos (SP), em julho. Para setembro, tradings indicam R$ 140,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos. Quanto à safra 2026/27, tradings indicam R$ 136,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos, para entrega em fevereiro de 2027. Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, tradings indicam R$ 113,00 por saca de 60 Kg FOB, para entrega em junho e pagamento em julho. As indicações de tradings para entrega em março de 2027 são de R$ 112,00 por saca de 60 Kg FOB. Para maio de 2027, a indicação é de R$ 115,00 por saca de 60 Kg FOB.
Fonte: Cogo Inteligência em Agronegócio.