24/Jun/2026
Segundo a Aprosoja Brasil, a piora da relação de troca entre soja e fertilizantes, combinada com o crédito mais caro e restrito, tem reduzido o ritmo de aquisição de adubos pelos produtores brasileiros para a safra 2026/27. O cenário é de cautela para empresas do setor de insumos. O principal indicador considerado pelo produtor rural não é o preço nominal dos fertilizantes, mas a quantidade de sacas de soja necessária para adquirir o insumo. No caso do MAP (fosfato monoamônico), a relação de troca passou de menos de 30 sacas de 60 Kg por tonelada em 2015 para cerca de 49 sacas de 60 Kg por tonelada em 2026, refletindo o aumento relativo do custo da adubação diante da rentabilidade da cultura. O movimento ocorre em um contexto de redução das margens agrícolas. A lucratividade do produtor recuou significativamente nos últimos anos, enquanto os custos financeiros permaneceram elevados. Com taxas de crédito que podem se aproximar de 20% ao ano em operações privadas, muitos agricultores têm optado por adiar decisões de compra, aguardando melhores condições de mercado.
A restrição de crédito também tem afetado diretamente a cadeia de distribuição de fertilizantes. Empresas do setor relatam deterioração das condições comerciais ao longo do segundo trimestre, com instituições financeiras adotando critérios mais rigorosos para concessão de financiamento ao agronegócio. O cenário tem contribuído para a desaceleração da demanda, especialmente por fertilizantes fosfatados, cujos preços continuam pressionados. Diante desse ambiente, cresce a busca por alternativas que permitam elevar a eficiência do uso de nutrientes. Bioinsumos, agricultura de precisão, produtos organominerais e práticas de manejo mais eficientes ganham espaço como ferramentas complementares para reduzir custos e melhorar o aproveitamento dos fertilizantes aplicados. Ainda assim, representantes do setor ressaltam que essas tecnologias não substituem a necessidade dos fertilizantes minerais na manutenção da produtividade agrícola. Outro fator que amplia a preocupação dos produtores é a elevada dependência externa do Brasil. Atualmente, mais de 85% dos fertilizantes consumidos no País são importados, percentual superior ao registrado há uma década.
A dependência expõe o setor aos riscos geopolíticos, às oscilações cambiais e às interrupções nas cadeias globais de suprimento. Além dos fertilizantes, a armazenagem segue como um dos principais gargalos estruturais do agronegócio brasileiro. O déficit nacional de capacidade de estocagem é estimado entre 30% e 35%, podendo alcançar aproximadamente 50% em Mato Grosso. A limitação reduz a capacidade de retenção da produção e aumenta a exposição dos produtores a períodos de preços menos favoráveis. O cenário reforça a necessidade de políticas voltadas à ampliação da produção nacional de fertilizantes, ao fortalecimento da infraestrutura logística e de armazenagem e à melhoria das condições de financiamento ao setor. Para a safra 2026/27, entretanto, a combinação entre relação de troca desfavorável, crédito restrito e custos elevados deverá continuar influenciando as decisões de compra de insumos e a gestão financeira das propriedades rurais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.