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24/Jun/2026

Futuros de soja estáveis pela 2ª sessão consecutiva

Os contratos futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago encerraram praticamente estáveis nesta terça-feira (23/06), refletindo um equilíbrio entre fatores técnicos de sustentação e fundamentos ainda pressionados pelo cenário de ampla oferta nos Estados Unidos. O vencimento novembro fechou a US$ 11,41 por bushel, com leve valorização de 0,02%, em um pregão marcado pela cobertura de posições vendidas por parte dos investidores. O movimento ocorreu após dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostrarem uma redução expressiva das posições líquidas compradas dos fundos de investimento na semana encerrada em 16 de junho, indicando um reposicionamento dos agentes financeiros diante das recentes quedas do mercado. Apesar desse suporte técnico, os fundamentos continuam limitando ganhos mais consistentes. O principal fator de pressão permanece sendo o bom desenvolvimento das lavouras norte-americanas.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que 66% da safra de soja apresenta condição boa ou excelente, percentual idêntico ao da semana anterior e ao registrado no mesmo período do ano passado. O desempenho das lavouras reforça a percepção de que a safra norte-americana segue com elevado potencial produtivo, especialmente após as condições climáticas favoráveis observadas ao longo de junho. Com isso, o mercado mantém uma visão relativamente confortável para a oferta global no curto prazo, reduzindo o espaço para avanços expressivos das cotações. Outro elemento baixista veio dos derivados da oleaginosa. As quedas nos mercados de farelo e óleo de soja reduziram o suporte para os contratos do grão, uma vez que a rentabilidade do processamento continua sendo um dos principais fatores de formação de preços no complexo soja. A demanda internacional também segue no radar dos participantes.

Embora os Estados Unidos tenham registrado recentemente a primeira venda avulsa de soja para a China desde fevereiro, o mercado esperava novas compras por parte dos importadores chineses. A ausência de novos anúncios reduziu o entusiasmo dos investidores e reforçou a cautela nas negociações. O comportamento da demanda chinesa continuará sendo determinante para a trajetória dos preços nos próximos meses. A China permanece como principal compradora mundial da oleaginosa e qualquer sinal de aceleração das aquisições pode alterar rapidamente o equilíbrio entre oferta e demanda projetado para a temporada. No curto prazo, entretanto, o mercado tende a permanecer fortemente influenciado pelas condições climáticas nos Estados Unidos. Com a entrada das lavouras em fases mais sensíveis do desenvolvimento durante julho, eventuais mudanças no padrão climático poderão redefinir as expectativas de produtividade e trazer maior volatilidade às cotações internacionais.