24/Jun/2026
A formação do fenômeno climático El Niño no segundo semestre de 2026 concentra as atenções do mercado sobre o desempenho das safras de grãos no Hemisfério Sul. Análise da Hedgepoint Global Markets indica que o padrão climático tende a favorecer a produção de trigo na Argentina e as lavouras de soja e milho no sul da América do Sul, ao mesmo tempo em que aumenta os riscos para áreas produtoras do Centro-Norte do Brasil. No mercado de trigo, a expectativa é de aumento na frequência e regularidade das chuvas na Argentina durante o segundo semestre de 2026. O cenário favorece o estabelecimento das lavouras, o desenvolvimento vegetativo e o enchimento dos grãos, ampliando o potencial de produtividade do cereal no país.
A melhora das condições climáticas pode contribuir para a recuperação da produção argentina e do excedente exportável após períodos marcados por estiagens. Com isso, a Argentina tende a ampliar sua participação no comércio internacional, especialmente nos mercados da América do Sul e do Norte da África. O balanço global do trigo dependerá da relação entre os ganhos produtivos previstos nas Américas e eventuais perdas de produção na Austrália. Para a soja e o milho, a influência do El Niño deverá se concentrar no sul da América do Sul, com aumento das chuvas durante a primavera e o verão. As condições climáticas são consideradas favoráveis para as lavouras da Região Sul do Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina.
No caso brasileiro, os efeitos positivos podem beneficiar especialmente os estados do Paraná e do Rio Grande do Sul, que ocupam a segunda e a terceira posições na produção nacional de soja. No milho safra de verão (1ª safra), o Rio Grande do Sul se destaca como principal produtor do País. Em contrapartida, o norte do continente tende a registrar precipitações abaixo da média histórica. O cenário eleva os riscos para áreas produtoras das Regiões Norte, Nordeste e parte da Região Centro-Oeste do Brasil. Estados como Mato Grosso, Goiás e Bahia podem enfrentar dificuldades para o desenvolvimento da soja em função da menor disponibilidade hídrica. Na safra 2023/2024, condições semelhantes contribuíram para perdas produtivas, com destaque para Mato Grosso, principal Estado produtor de grãos do País.
Os impactos também podem alcançar o milho 2ª safra de 2027. A redução da umidade no norte da América do Sul pode atrasar o plantio da soja e, consequentemente, deslocar a semeadura do milho para o primeiro trimestre de 2027. Esse atraso aumenta o risco de exposição das lavouras a períodos de menor disponibilidade hídrica durante o outono e o inverno, comprometendo o potencial produtivo do cereal. Os efeitos do El Niño deverão se concentrar principalmente no Hemisfério Sul, criando um cenário de maior potencial produtivo para as regiões do sul da América do Sul e de riscos climáticos mais elevados para áreas agrícolas do Centro-Norte brasileiro, com reflexos tanto para a soja quanto para o milho 2ª safra. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.