22/Jun/2026
A União Europeia (UE) não deverá conceder tratamento diferenciado ao Brasil nas novas restrições tarifárias aplicadas a importações de aço e soja, mesmo no contexto do acordo comercial Mercosul-UE, segundo avaliação da embaixadora do bloco europeu em Brasília. As medidas europeias são justificadas pelo excesso de capacidade global de produção de aço, atribuído principalmente à China, o que levou à redução pela metade da cota isenta de tarifas, para 18,3 milhões de toneladas, além do aumento da alíquota sobre o volume excedente de 25% para 50%, com vigência a partir de 1º de julho. No caso da soja, a União Europeia passou a adotar critérios ambientais mais rigorosos, incluindo a associação indireta do óleo de soja ao desmatamento, o que pode impactar a demanda do produto brasileiro no mercado europeu.
O conjunto de restrições também se soma a medidas anteriores, como o veto à carne bovina brasileira previsto para entrar em vigor em setembro, ampliando as tensões comerciais entre as partes. O acordo Mercosul-UE, em vigor de forma provisória desde 1º de maio, ainda passará por etapas de análise e ratificação até o fim de 2027. Apesar disso, a União Europeia afirma que o entendimento prevê ganhos em redução tarifária, cooperação em dados e integração industrial, sem implicar flexibilização automática de regras regulatórias ou ambientais. As novas barreiras comerciais já provocaram reação diplomática do governo brasileiro, em meio a um cenário de maior fricção regulatória entre Europa e grandes exportadores agrícolas e industriais. Fonte: Folha de São Paulo. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.