22/Jun/2026
A Bayer pretende ampliar a adoção de sementes certificadas de soja na safra 2026/27 e antecipar a regularização do pagamento de royalties referentes ao uso de suas biotecnologias. A estratégia prioriza a adesão dos produtores antes do plantio, reduzindo a necessidade de regularizações posteriores relacionadas ao uso da tecnologia embarcada nas sementes. O principal foco da iniciativa é o Rio Grande do Sul, onde as sementes não certificadas representam cerca de 28% do mercado, segundo dados da CropLife Brasil. No cenário nacional, a participação desse segmento é estimada em 11%. A companhia pretende desenvolver campanhas para demonstrar aos produtores que a aquisição de sementes certificadas ou a utilização do sistema de semente salva dentro das regras legais apresenta custo inferior ao pagamento de royalties após a colheita.
Segundo a empresa, o valor desembolsado por quem adere previamente aos modelos regularizados corresponde a aproximadamente metade do custo cobrado posteriormente nos pontos de recebimento da produção. Além das ações de orientação, a estratégia contempla negociações com revendas, cooperativas, multiplicadores de sementes e entidades do setor para estruturar condições comerciais diferenciadas e alternativas de financiamento que incentivem a utilização de sementes certificadas. Na safra 2025/26, a Bayer implementou o programa Pré-Certifica, destinado à regularização da remuneração pela biotecnologia para produtores que utilizaram a tecnologia sem realizar o pagamento por meio das modalidades de semente certificada ou semente salva legal.
Segundo a companhia, mais de 25 mil produtores gaúchos aderiram à iniciativa, abrangendo área superior a 1 milhão de hectares. A empresa atribui parte da adesão ao cenário enfrentado pela agricultura gaúcha nos últimos anos, marcado por eventos climáticos adversos, incluindo estiagens e excesso de chuvas, que afetaram a capacidade financeira dos produtores e exigiram soluções específicas para regularização. Apesar das dificuldades financeiras enfrentadas por parte dos agricultores, especialmente em regiões com maior endividamento, a companhia avalia que o ritmo de comercialização de sementes para a safra 2026/27 segue positivo. Entre os argumentos utilizados está o peso relativamente reduzido da biotecnologia no custo total de produção, representando menos de 4% do investimento por hectare, segundo a empresa.
O tema dos royalties continua gerando debates no setor. Representantes de grupos de produtores questionam cobranças relacionadas a patentes que consideram expiradas. A Bayer sustenta que, embora algumas patentes tenham vencido, outras permanecem em vigor e garantem a proteção jurídica da tecnologia atualmente comercializada. Segundo a empresa, a última patente vinculada ao sistema atual expira em maio de 2028, quando os produtores poderão optar por tecnologias mais recentes, incluindo a plataforma Intacta 5+. O avanço da certificação de sementes é considerado estratégico para a indústria de genética e biotecnologia, tanto para garantir a remuneração dos investimentos em pesquisa quanto para ampliar a rastreabilidade e a adoção de tecnologias de maior produtividade no campo. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.