19/Jun/2026
A China voltou a adquirir soja dos Estados Unidos nesta semana, realizando as primeiras compras desde janeiro. Apesar da retomada, a AgResource avalia que os negócios estão concentrados em operações ligadas ao governo chinês e ainda não sinalizam o retorno dos esmagadores privados ao mercado norte-americano. As tarifas atualmente aplicadas sobre a soja dos Estados Unidos continuam limitando a atuação da indústria privada chinesa. Dessa forma, as compras permanecem dependentes de decisões estatais, sem alteração estrutural no padrão de demanda observado nos últimos meses. A retomada das aquisições oferece suporte às cotações da soja na Bolsa de Chicago, mas ainda não é suficiente para modificar de forma significativa o cenário global de demanda.
As exportações norte-americanas do grão seguem abaixo dos níveis registrados no ano anterior, refletindo principalmente a ausência da China durante o primeiro trimestre. Além da soja, a China também demonstrou interesse em milho e trigo dos Estados Unidos. A AgResource destacou que compradores chineses teriam ampliado posições no mercado futuro de milho, enquanto as exportações norte-americanas do cereal seguem aquecidas. As vendas externas acumuladas já alcançam 83,8 milhões de toneladas no atual ano comercial, e a projeção da consultoria é de embarques próximos de 88,9 milhões de toneladas ao final do ciclo.
Mesmo diante da concorrência de fornecedores sul-americanos, especialmente da Argentina, a demanda internacional pelo milho dos Estados Unidos permanece consistente. Não há sinais de enfraquecimento relevante nas exportações do cereal. No mercado de soja, o atraso acumulado das exportações norte-americanas em relação ao ano passado é estimado em cerca de 8,2 milhões de toneladas. Ainda assim, outros importadores continuam ativos, incluindo países como o Egito, contribuindo para reduzir parcialmente o impacto da menor participação chinesa. No campo climático, há preocupação crescente na Europa. Ondas de calor intensas e condições de seca devem atingir importantes áreas agrícolas do continente, especialmente regiões produtoras de milho.
O cenário pode ampliar a necessidade de importações europeias de grãos nos próximos meses. Nos Estados Unidos, o excesso de chuvas continua sendo monitorado. A umidade elevada tem provocado encharcamento dos solos em algumas áreas produtoras, com relatos de perdas de nitrogênio e dificuldades no desenvolvimento das lavouras de milho. Apesar disso, a consultoria considera prematuro projetar impactos generalizados sobre a produtividade. As margens de processamento de soja, etanol e biocombustíveis permanecem favoráveis. Com a aproximação do período em que a soja norte-americana tende a ganhar competitividade no mercado internacional, a consultoria avalia que o potencial para novas quedas expressivas nos preços é limitado, embora a volatilidade deva permanecer elevada nas próximas semanas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.