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19/Jun/2026

Grãos: El Niño favorece soja e eleva risco para milho

O fenômeno El Niño deverá influenciar de forma significativa a safra brasileira de grãos 2026/27. Segundo análise da Nottus Meteorologia, a tendência é de início antecipado das chuvas no Cerrado, favorecendo a implantação da soja, mas também aumentando os riscos de veranicos durante o desenvolvimento das lavouras e de interrupção precoce das precipitações no fim do ciclo. O fenômeno já está estabelecido e deve permanecer ativo ao longo do segundo semestre de 2026 e do primeiro semestre de 2027. As projeções indicam possibilidade de fortalecimento gradual até atingir intensidade elevada nos próximos meses. Para a soja, o cenário inicial é considerado favorável. A chegada antecipada da umidade ao Centro-Oeste poderá permitir o início da semeadura logo após o encerramento do vazio sanitário, especialmente em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O avanço mais rápido do plantio tende a beneficiar o calendário agrícola e ampliar a janela para a implantação da 2ª safra de 2027. Apesar disso, a distribuição das chuvas ao longo do ciclo preocupa.

Em anos de El Niño, aumenta a probabilidade de ocorrência de veranicos durante fases críticas da cultura, principalmente no enchimento de grãos. Períodos prolongados sem precipitação podem comprometer o potencial produtivo e reduzir a produtividade das lavouras. O principal foco de atenção recai sobre o milho 2ª safra. Caso o plantio da soja seja realizado de forma mais distribuída ao longo do tempo, parte da 2ª safra de 2027 poderá ser semeada mais tardiamente, aumentando a exposição das lavouras à redução das chuvas e aos períodos de estiagem durante o desenvolvimento da cultura. A região do Matopiba, formada por áreas produtoras de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, apresenta o maior risco climático para a próxima temporada. Historicamente, anos de El Niño estão associados à menor regularidade das precipitações nessa região, elevando a vulnerabilidade das áreas sem irrigação. O manejo adequado do solo poderá desempenhar papel importante na mitigação dos impactos climáticos.

Sistemas com maior cobertura vegetal tendem a preservar a umidade por mais tempo e reduzir os efeitos de períodos secos associados às altas temperaturas previstas para o Centro-Oeste durante a primavera. No curto prazo, a previsão indica chuvas acima da média na Região Sul, beneficiando culturas de inverno, especialmente o trigo. No entanto, o excesso de precipitações poderá provocar interrupções pontuais em operações de campo, além de afetar atividades logísticas e de manejo. Para o Rio Grande do Sul, as condições previstas para o inverno são consideradas favoráveis ao desenvolvimento das culturas de inverno. O maior risco climático para a região está concentrado no final da estação e durante a primavera, quando a combinação entre frentes frias e ondas de calor poderá favorecer a ocorrência de tempestades, ventos fortes e chuvas intensas. Os impactos potenciais do fenômeno são ampliados pelo atual cenário de temperaturas globais elevadas. A interação entre o aquecimento global e o El Niño pode intensificar eventos climáticos extremos e aumentar a volatilidade das condições meteorológicas durante a safra 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.