18/Jun/2026
Os contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago registraram recuperação diante de rumores sobre uma possível retomada das compras chinesas de soja dos Estados Unidos para embarques entre outubro e março. O movimento fortaleceu as cotações, mas o mercado ainda aguarda a confirmação de negócios efetivos para consolidar uma trajetória mais consistente de valorização. O contrato de soja com vencimento em novembro de 2026 se aproximou de US$ 11,47 por bushel, atingindo o maior nível em quase duas semanas. O impulso veio de relatos sobre o possível retorno da China ao mercado norte-americano, além das expectativas geradas por uma eventual visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington em setembro. A reação das cotações evidencia a elevada sensibilidade do mercado global a sinais de demanda chinesa.
O interesse potencial da China ganha relevância em um momento em que a soja dos Estados Unidos já conta com demanda doméstica robusta para esmagamento, fator que contribui para reduzir a disponibilidade exportável e fortalecer o equilíbrio entre oferta e demanda. Embora parte dos participantes do mercado mantenha cautela diante da ausência de compras confirmadas, permanece a avaliação de que a China poderá ampliar significativamente suas aquisições de soja norte-americana. Entre as projeções discutidas pelo mercado, há estimativas que apontam para compras de até 25 milhões de toneladas, embora o volume ainda dependa da efetivação dos negócios. O mercado acompanha com atenção a divulgação do relatório de área plantada do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para 30 de junho. Estimativas da S&P Global Commodity Insights apontam área de soja em 34,5 milhões de hectares.
As expectativas para o relatório permanecem elevadas porque os resultados poderão influenciar diretamente as projeções de produção para a safra 2026/27. Em algumas regiões, produtores optaram por ampliar o cultivo de soja em detrimento do milho devido aos custos de fertilizantes, enquanto em outras áreas a valorização do cereal durante a primavera incentivou a manutenção ou expansão da área destinada ao milho. Diante desse cenário, a confirmação de demanda chinesa para a soja e os números de área plantada nos Estados Unidos deverão continuar sendo os principais direcionadores dos mercados agrícolas nas próximas semanas. Segundo a StoneX, os contratos futuros da soja voltaram a registrar recuperação na Bolsa de Chicago, após as recentes quedas, sustentados pela expectativa de retomada das compras chinesas de soja dos Estados Unidos em um cenário de preços mais baixos e dólar enfraquecido. A avaliação da indica que a correção das cotações tornou a soja norte-americana mais competitiva no mercado internacional, estimulando o interesse dos compradores.
O movimento ocorreu após o recuo dos preços da energia associado à perspectiva de redução das tensões entre Estados Unidos e Irã. A queda do petróleo reduziu parte do suporte oferecido ao complexo soja por meio da demanda relacionada aos biocombustíveis, afetando especialmente soja, óleo de soja e colza. Com combustíveis fósseis mais baratos, diminui parte do incentivo econômico para o consumo de matérias-primas renováveis. Mesmo diante desse cenário, a soja encontrou suporte técnico e comercial. O contrato novembro de 2026 recuou para níveis próximos de US$ 11,15 por bushel antes de reagir para perto de US$ 11,47 por bushel. Compradores internacionais aguardavam uma correção mais intensa para realizar aquisições oportunistas. O dólar mais fraco também contribuiu para melhorar a competitividade das exportações norte-americanas. Embora os embarques de soja dos Estados Unidos permaneçam aproximadamente 1% abaixo do ritmo necessário para atingir a projeção anual do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as expectativas de novas compras chinesas têm sustentado o mercado.
Apesar do otimismo, os números da demanda chinesa ainda não confirmam uma retomada mais robusta. O Ministério da Agricultura da China projeta importações de soja de 95,5 milhões de toneladas em 2026/27, abaixo das 103,3 milhões de toneladas do ciclo anterior e das 109,3 milhões de toneladas registradas dois anos antes. Entre janeiro e maio, as importações chinesas somaram pouco menos de 37 milhões de toneladas, volume cerca de 0,5% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. No mercado doméstico norte-americano, a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos Estados Unidos (Nopa) informou esmagamento de 208,875 milhões de 5,69 milhões de toneladas em maio. O volume superou as 5,25 milhões de toneladas processadas no mesmo mês de 2025, mas ficou abaixo da expectativa média do mercado, de 5,88 milhões de toneladas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.