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17/Jun/2026

Grãos: oferta da América do Sul pressiona Chicago

A maior oferta de milho e soja da América do Sul continua exercendo pressão sobre as cotações na Bolsa de Chicago, enquanto o mercado aguarda o relatório de área plantada do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para 30 de junho, como potencial fator de mudança para os preços. No milho, o USDA elevou em 3 milhões de toneladas sua estimativa para a produção brasileira e em 2 milhões de toneladas a projeção para a Argentina no relatório mensal de oferta e demanda (Wasde) divulgado na semana passada. Esse aumento de oferta neutralizou o efeito positivo da redução dos estoques finais norte-americanos da safra 2025/26. A leitura para o mercado global permanece baixista devido ao maior volume disponível fora dos Estados Unidos. No mercado doméstico norte-americano, o USDA reduziu a estimativa de uso de milho para etanol, mas elevou a projeção de exportações, resultando em um balanço mais equilibrado.

Para a soja, o Wasde trouxe poucas alterações nos fundamentos. O USDA reduziu a projeção de exportações dos Estados Unidos e aumentou o esmagamento doméstico. Na América do Sul, a estimativa de produção da Argentina foi elevada em 2 milhões de toneladas, enquanto a previsão para o Brasil permaneceu inalterada. Os estoques globais apresentaram leve aumento. A expectativa do mercado está concentrada no relatório de área plantada dos Estados Unidos, que poderá indicar a distribuição efetiva entre milho e soja, além de apontar eventuais necessidades de replantio em áreas afetadas por problemas climáticos. Caso o levantamento confirme redução de área ou necessidade de replantio acima das expectativas, poderá oferecer suporte às cotações. No mercado de trigo, o cenário é considerado mais favorável. O USDA reduziu a produtividade média das lavouras norte-americanas.

Com isso, a produção foi reduzida em 490 mil toneladas e os estoques finais da nova safra também sofreram ajuste para baixo. A combinação entre condições desfavoráveis das lavouras, produção abaixo da média e preços deprimidos pode estar estabelecendo um piso para as cotações do cereal. Há ainda a possibilidade de abandono de áreas por produtores diante das condições produtivas e da baixa rentabilidade, situação semelhante à observada em 2023. Sem um fator adicional de suporte, como mudanças relevantes na área plantada norte-americana ou problemas climáticos mais severos, a ampla oferta global de grãos continuará limitando uma recuperação mais consistente das cotações de milho e soja no mercado internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.