ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

17/Jun/2026

Ampla oferta global mantém pressão sobre os preços

A perspectiva de expansão da oferta global de soja continua limitando o potencial de recuperação dos preços na temporada 2026/27. Segundo o Itaú BBA, a combinação de safras volumosas no Brasil e nos Estados Unidos mantém o viés baixista para as cotações internacionais, enquanto uma reversão desse cenário dependeria de problemas climáticos relevantes ou de uma intensificação das compras chinesas. No relatório de junho, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou a produção brasileira de soja em 186 milhões de toneladas na safra 2026/27. Para os Estados Unidos, a estimativa é de 120,7 milhões de toneladas, volume 4% superior ao da temporada anterior. O USDA também prevê esmagamento de 74,84 milhões de toneladas no mercado norte-americano, impulsionado pela demanda de óleo para biocombustíveis, enquanto o processamento global deverá aumentar 14 milhões de toneladas em relação ao ciclo 2025/26. As condições climáticas no Meio Oeste dos Estados Unidos permanecem dentro das previsões para o trimestre de junho a agosto.

Nesse contexto, uma recuperação mais consistente das cotações na Bolsa de Chicago dependeria de adversidades climáticas na safra norte-americana ou na próxima safra sul-americana. O banco observa ainda que um eventual episódio forte de El Niño não está atualmente incorporado aos preços do mercado. Em maio, os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago registraram valorização de 2,1% no primeiro vencimento, encerrando o período a US$ 11,92 por bushel. O movimento foi sustentado pelo complexo de óleo vegetal e pelas expectativas relacionadas ao acordo comercial firmado em 17 de maio, que prevê compras chinesas adicionais de pelo menos US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas até 2028. No início de junho, porém, os preços voltaram a recuar diante da ausência de novas aquisições imediatas por parte da China. No mercado brasileiro, os preços internos foram favorecidos em maio pela valorização dos prêmios de exportação e pelas cotações externas, mesmo diante da apreciação do Real. Em Sorriso (MT), a cotação da soja avançou 2%, alcançando R$ 103,60 por saca de 50 Kg.

As exportações brasileiras somaram 14,8 milhões de toneladas em maio, volume 5,2% superior ao embarcado no mesmo mês de 2025. O desempenho reforça a competitividade do produto nacional no mercado internacional. A soja brasileira entregue na China é negociada ao redor de US$ 470,00 por tonelada, enquanto o produto norte-americano supera US$ 500,00 por tonelada. A diferença de preços tem favorecido a origem brasileira e limitado as compras chinesas nos Estados Unidos às 12 milhões de toneladas já contratadas para a safra 2025/26. Novas aquisições para o ciclo 2026/27 dependerão da atratividade econômica do produto norte-americano e de eventuais ajustes tarifários. O amplo crescimento da produção mundial, aliado ao aumento da capacidade de processamento, continuará pressionando o mercado ao longo da temporada, mantendo clima e demanda chinesa como os principais fatores de sustentação potencial para os preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.